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O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, ressaltou hoje que a desnuclearização da península continua a ser uma meta básica e irrenunciável do seu governo, depois que ontem ambas Coreias aproximaram posturas para aliviar tensões numa reunião histórica.

"A desnuclearização da península coreana é o caminho e a meta para a paz. Uma desnuclearização que seja declarada conjuntamente pelas duas Coreias. Essa é uma postura básica à qual nunca podemos renunciar", disse Moon no seu discurso de Ano Novo pronunciado em Seul.

As palavras de Moon são divulgadas um dia depois de ambas Coreias realizarem a sua primeira reunião em dois anos, um encontro que se saldou com um acordo para retomar as conversas militares e para a participação norte-coreana nos Jogos Olímpicos de Inverno que se vão realizar em fevereiro no condado sul-coreano de PyeongChang.

A delegação sul-coreana mencionou no encontro a necessidade de optar pela desnuclearização para garantir a paz e a segurança na península, algo que foi contrariado pela representação da Coreia do Norte, que lembrou que não tinha intenção de discutir com Seul o desenvolvimento do seu programa nuclear.

Moon negou hoje, por sua vez, que a via de dialogo aberta ontem contrarie a estratégia para pressionar Pyongyang com a intenção de que abandone o seu programa nuclear.

"Iniciamos o diálogo com a Coreia do Norte, mas, dado que o tema nuclear está sem solução, a República da Coreia (nome oficial da Coreia do Sul) vai continuar pelo caminho da pressão e das sanções junto ao resto da comunidade internacional", explicou.

Nesse sentido, indicou que o diálogo e a aproximação entre as duas Coreias e a desnuclearização vão na mesma direção, uma vez que, segundo Moon, o primeiro elemento seria o passo prévio para atingir uma península sem armas atómicas.

Moon ressaltou ainda que, "uma vez que as relações Sul-norte melhorem, isso pode ajudar a resolver o problema nuclear norte-coreano".

O presidente também negou que Seul esteja a planear suspender provisoriamente algumas das sanções que aprovou contra Pyongyang pelos seus programas de armas, para assim possibilitar que membros do regime -que estão proibidos de entrar na Coreia do Sul em virtude destas sanções- possam viajar aos Jogos de PyeongChang.

"Por enquanto não temos nenhum plano para aliviar as nossas sanções unilaterais sobre a Coreia do Norte, ativadas de maneira conjunta com as sanções internacionais", assegurou.

Moon defendeu que a meta da política de pressão e sanções "é trazer a Coreia do Norte à mesa de negociação" e elogiou que o governo dos Estados Unidos tenha expressado a sua satisfação pelo reatamento de contatos entre Seul e Pyongyang.

De fato, considerou que as históricas conversas de terça-feira "podem ter sido o resultado da política de sanções e pressão liderada pelos Estados Unidos", numa referência à estratégia de linha dura do governo de Donald Trump.