EFECopenhaga

O uzbeque Rakhmat Akilov, autor confesso do atentado com camião do ano passado no centro de Estocolmo no qual morreram cinco pessoas, foi condenado hoje a prisão perpétua por um tribunal sueco devido a um delito de terrorismo.

Akilov, um solicitante de asilo simpatizante do Estado Islâmico (EI) que tinha ordem de expulsão da Suécia, percorreu a 7 de abril de 2017 quase 600 metros da principal rua pedestre da cidade com um camião roubado até chocar contra a fachada de umas lojas de departamento.

Durante o julgamento, Akilov confessou que pretendia obrigar a Suécia a deixar a coligação internacional contra o EI e a não patrocinar uma guerra na qual morrem "milhões de muçulmanos inocentes".

A condenação por terrorismo baseia-se nas cinco mortes e na destruição provocada que causou além disso "perigo público", segundo a decisão, que o considera culpado também de 119 tentativas de assassinato e de pôr em perigo 24 pessoas, além de decretar a sua expulsão vitalícia da Suécia após cumprir a pena.

"Não se podem discutir as suas simpatias pelo EI, o próprio as repetiu, e também se deduz do material encontrado no seu imóvel. Não há nenhuma dúvida que a pena total deve ser prisão perpétua, também não sobre a sua expulsão", afirmou o presidente do tribunal, Ragnar Palmkvist, em conferência de imprensa.

A decisão do tribunal de Estocolmo lembrou também que Akilov pretendia cometer um atentado suicida, mas a bomba caseira que tinha colocado no interior do camião só lhe provocou ferimentos leves, pelo que conseguiu fugir de metro, aproveitando a confusão, embora tenha sido detido no mesmo dia durante a noite num subúrbio de Estocolmo.

"Queria que a Suécia acabasse a sua guerra contra o califado, deixasse de enviar soldados a zonas de combate e mandar somas de dinheiro gigantescas para combater o nosso califado", disse no julgamento Akilov, que se gravou a jurar lealdade ao EI, que nunca reivindicou o atentado.

Rakhmat Akilov -de 40 anos, separado e com 4 filhos- chegou à Suécia em 2014 e pediu asilo, alegando que sofria de perseguição política no Uzbequistão, mas as autoridades não deram credibilidade ao seu pedido, que além disso foi feito sob identidade falsa.

A sua solicitação de asilo foi rejeitada em dezembro de 2016, quando se decretou a sua saída do país, e foi no final de fevereiro quando a polícia emitiu uma ordem de busca contra o uzbeque, que permaneceu na Suécia na clandestinidade.