EFEWashington

O Senado dos Estados Unidos recebeu formalmente esta quarta-feira o processo de destituição contra o presidente do país, Donald Trump, passo necessário para o julgamento marcado para começar na próxima terça-feira.

Os "promotores" da destituição, recém-nomeados pela presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, entregaram as acusações contra Trump ao Senado, depois de uma coreografada procissão pelos corredores do Capitólio.

O líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, anunciou que tinha decidido convocar os "promotores" escolhidos pela Câmara dos Representantes para encenar a entrega formal do processo esta quinta.

Depois, McConnell convocará o presidente do Supremo Tribunal, John Roberts, que vai chefiar o Senado temporariamente, substituindo o vice-presidente do país, Mike Pence, enquanto durar o processo de "impeachment".

Roberts será empossado numa cerimónia que irá contar com a presença dos 100 senadores, que serão responsáveis por julgar se Trump continua ou não no cargo. Na sequência, a Casa Branca será notificada que as acusações chegaram formalmente ao Senado.

"O julgamento começará na terça-feira, quando os senadores voltarem ao trabalho depois das comemorações pelo aniversário de nascimento de Martin Luther King", disse McConnell.

Antes de enviar o processo, formalmente conhecido como artigos para a destituição, Pelosi assinou o documento com várias canetas, distribuídas por ela aos presentes à cerimónia solene realizada na Câmara dos Representantes.

"Hoje fazemos história quando os 'promotores' percorrerem os corredores (do Capitólio) e chegarem ao Senado. (...) Este presidente vai prestar contas. Ninguém está acima da lei", afirmou a líder da oposição democrata.

Trump será acusado de abuso de poder e obstrução ao Congresso. O caso começou depois de um delator anónimo revelar que o presidente pressionou o presidente da Ucrânia, Vladimir Zelenski, a abrir uma investigação contra Joe Biden, ex-vice-presidente dos EUA e um possível adversário de Trump nas eleições de novembro deste ano.

Segundo a oposição democrata, Trump terá exigido a abertura de um processo contra Hunter Biden, filho do ex-vice-presidente, para destinar 400 milhões de dólares em ajuda à Ucrânia e aceitar uma reunião com Zelenski na Casa Branca.

É pouco provável que os democratas consigam os votos necessários para afastar Trump do poder, já que o Senado é controlado pelos republicanos e nenhum deles parece disposto a aprovar o "impeachment" do presidente americano.