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A crise de segurança causada pelos protestos independentistas violentos da Catalunha está a aprofundar o distanciamento entre o Governo de Espanha e o catalão, responsável de manter a ordem pública nessa região autónoma.

O ministro espanhol de Fomento, José Luis Ábalos, denunciou esta quarta-feira a "irresponsabilidade" do presidente regional da Catalunha, o defensor da soberania Quim Torra, por não ter "nenhum interesse" em controlar a situação de desordem.

Ábalos acusou-o de fazer "chamadas" aos protestos contra a sentença judicial que condena nove líderes soberanistas à prisão, que depois derivam em violência.

O Executivo espanhol exigiu a Torra que condene os atos violentos, o que demonstra o ambiente de tensão crescente entre as autoridades espanholas e catalãs.

A poucas semanas das eleições gerais de 10 de novembro em Espanha, o chefe do Executivo espanhol, o socialista Pedro Sánchez, procura a parceria dos líderes dos principais partidos opositores espanhóis: o conservador PP, o liberal Ciudadanos e o esquerdista Unidas Podemos.

Sánchez vai-se reunir hoje com eles para lhes transmitir a sua "determinação" de "garantir a segurança com firmeza, proporcionalidade e unidade", segundo disse numa mensagem difundida no Twitter.

O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, precisou que seria "absolutamente imprudente" que o Executivo tome o controlo da Polícia catalã, já que a coordenação deste corpo regional com as forças do segurança do Estado é "não melhorável" e "permanente".

Sobre esta questão, matizou que se poderia aplicar o "ordenamento jurídico então", em alusão à Lei de Segurança Nacional.

Interior mobilizou 2.000 agentes para contribuir, em caso necessário, a garantir a ordem pública na Catalunha a pedido da Polícia catalã, que é a responsável da segurança nessa região espanhola.

O presidente catalão, por sua parte, convocou uma reunião urgente para tratar a situação com os principais conselheiros do seu governo.

Os distúrbios mais graves aconteceram ontem à noite em Barcelona, onde se viveu uma longa batalha campal, com cargas policiais contra grupos de radicais, que montaram 157 barricadas de fogo e destruíram quatro carrinhas policiais.

A Polícia regional catalã prendeu 30 pessoas por causa dos incidentes, que deixaram 125 feridos, embora nenhum deles grave, informou o Sistema de Emergências Médicas regional.

Segundo fontes policiais, 75 agentes foram feridos nos incidentes.

O comboio de alta velocidade entre Barcelona e Figueras (Gerona) está esta quarta-feira interrompido devido a sabotagem das comunicações em vários pontos do percurso, informaram fontes oficiais.

Além disso, estão a ser realizadas várias marchas massivas de manifestantes por estradas catalãs para Barcelona, onde se vão concentrar sexta-feira, dia para o qual está convocada uma greve geral em toda a Catalunha.

O Supremo Tribunal espanhol condenou os líderes independentistas a penas entre 9 e 13 anos de prisão pela sua responsabilidade no processo soberanista ilegal de 2017, que pretendia a secessão da Catalunha contra a Constituição espanhola.