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O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e o esquerdista Unidos Podemos (UP) prosseguem esta quarta-feira as suas negociações à procura de um acordo de última hora que lhes permita fechar uma coligação de governo em Espanha e evitar a repetição das eleições.

As negociações estão a cargo de duas pessoas da máxima confiança dos líderes de ambos partidos: Carmen Calvo, vice-presidente do Governo interino do PSOE, e Pablo Echenique, secretário de Ação de Governo e Institucional do Podemos.

As negociações intensificaram-se depois do líder socialista e chefe do Governo interino, Pedro Sánchez, não ter conseguido esta terça-feira o apoio do Congresso para renovar o seu mandato à frente do Executivo, ao conseguir apenas 124 votos a favor, frente a 170 negativos e 52 abstenções.

A maioria das abstenções foram do UP, razão pela qual uma votação favorável dos seus deputados (42) seria suficiente para referendar o líder socialista espanhol numa segunda votação que deve acontecer quinta-feira e na qual Sánchez precisará da maioria simples para ser empossado no Congresso.

No meio do segredo absoluto mantido pelos dirigentes de ambos partidos (nem mesmo o local da reunião foi divulgado), o ministro dos Negócios Estrangeiros interino, Josep Borrell, disse hoje que confia que haverá um governo "o mais rápido possível".

"Há razões para ter preocupação e razões para ter esperança", afirmou Borrell em breves declarações durante um ato institucional. No entanto, perguntado sobre o andamento das conversas com o UP, respondeu: "Não sei, francamente, não estou nas negociações".

Por sua parte, fontes do Unidos Podemos pediram "prudência" diante da possibilidade de um acordo com o PSOE porque "quase não está a haver avanços nas propostas" feitas pelos socialistas, embora não tenha revelado quais são.

Até agora sabe-se que o PSOE lhes ofereceu a vice-presidência do Governo, que iria para Irene Montero, "segunda em comando" do UP, assim como algumas pastas ministeriais, enquanto o Unidas Podemos reivindica postos com competências para desenvolver as políticas que considera prioritárias como ambiente, política fiscal, ciência, igualdade e emprego.

O prazo limite para as negociações é 14h30 (horário local) de amanhã, hora na qual o Congresso deve realizar a segunda votação.

À espera dos resultados das negociações, o PSOE adiou a reunião da sua direção, prevista inicialmente para hoje, e que também vai acontecer na quinta.