EFEBerlim

O ex-presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, afirmou esta terça-feira que o Estado tem a oportunidade de "retificar" no atual julgamento do "procés" e que a única decisão "justa" é a "absolvição".

Puigdemont fez estas declarações em Berlim pouco depois do começo no Supremo Tribunal em Madrid do julgamento do "procés" contra doze políticos independentistas catalães pela organização do referendo independentista de 1 de outubro.

Segundo a sua opinião, este processo judicial é de "caráter político" e um "teste para todo o sistema judicial espanhol", uma "prova de resistência" para o "Estado de direito", porque é um julgamento instruído contra pessoas "inocentes, honoráveis e escolhidas democraticamente" que apenas cumpriram com as decisões do parlamento catalão.

Puigdemont assegurou que vai estar "sempre" à disposição "da justiça", mas de uma justiça "justa e correta", algo que, na sua opinião, "não é possível em Espanha" atualmente.

"Se chegamos a organizar o referendo de 1 de outubro é porque as reivindicações para fazer um referendo pactuado foram recusadas", argumentou o ex-presidente.

Aos independentistas na Catalunha que estão a acompanhar o julgamento do "procés", Puigdemont pediu-lhes para serem "fortes", "terem confiança" e estarem "orgulhosos do exemplo" dos líderes acusados.

Puigdemont encontra-se em Berlim por convite da organização Cinema for Peace, que aproveita a realização do festival de cinema da capital alemã, a Berlinale, para organizar uma série de atos paralelos nos quais participam políticos e ativistas.

O ex-presidente da Generalitat já esteve ontem à tarde na gala que a Cinema for Peace costuma organizar durante a Berlinale, e hoje deve participar num ato convocado no Reichstag, o edifício principal do Parlamento alemão.

Puigdemont ressaltou ontem que o seu papel em Berlim nestes dias é "dar voz" aos "que enfrentam um julgamento completamente injusto" e aproveitar "a oportunidade" para "denunciar esta situação".