EFEEstrasburgo (França)

A eurodeputada maltesa Roberta Metsola, do Partido Popular Europeu, foi eleita esta terça-feira como presidente do Parlamento Europeu, tornando-se na terceira mulher a presidir esta instituição.

Metsola, de 43 anos, conseguiu a maioria absoluta necessária para garantir o cargo na primeira volta, com 458 votos, enquanto a sueca Alice Bah Kuhnke, dos Verdes, terminou com 101 e a espanhola Sira Rego, da Esquerda, com 57.

A maltesa sucede assim o social-democrata italiano David Sassoli, falecido na passada terça-feira aos 65 anos, e dá início a um mandato para os próximos dois anos e meio, até que a legislatura termine e sejam realizadas novas eleições para o Parlamento Europeu.

A maltesa, a quem os eurodeputados cantaram "Parabéns" quando o resultado foi anunciado, bateu confortavelmente a maioria necessária de 309 votos para ganhar o cargo numa votação em que participaram 690 eurodeputados. 74 votos foram em branco ou inválidos, deixando 618 votos válidos.

Com os seus 43 anos cumpridos esta terça-feira, Metsola é também a pessoa mais jovem a presidir uma instituição da UE e a primeira líder de um dos principais organismos da UE a vir de Malta, o país mais pequeno do território comunitário, com pouco mais de meio milhão de habitantes.

A sua candidatura obteve o apoio público não só da sua própria família política, como também dos sociais-democratas e liberais, que só revelaram o seu apoio na tarde de segunda-feira, na expectativa de um acordo a três sobre as prioridades para o resto da legislatura e uma nova distribuição de vice-presidências (previsivelmente mais duas para os sociais-democratas e mais uma para os liberais).

No seu primeiro discurso no hemiciclo para apresentar as suas prioridades, a maltesa disse que o presidente do Parlamento deve ser "um construtor de consensos, um ouvinte, que possa ultrapassar as diferenças e apoiar o centro", e afirmou que a instituição não deve ter "medo de reformas" para ser mais moderna e eficiente.

Nesta apresentação, na qual afirmou que a luta pela igualdade de género "não pode ser apenas estética", a sua posição contra o aborto em diferentes votações parlamentares recebeu críticas veladas das outras duas candidatos à presidência, Alice Bah Kuhnke (Verdes) e Sira Rego (Esquerda), que defenderam os direitos das mulheres em termos de saúde reprodutiva e pediram para não se retroceder neste campo.