EFEGuarda (Portugal)

Rui Rio, líder do principal partido da oposição em Portugal, o conservador PSD, pede aos partidos políticos, numa entrevista com a Agência EFE, "maturidade e diálogo sério" para evitar que o país vá "de eleição em eleição".

Portugal celebra eleições legislativas a 30 de janeiro e "é provável que não haja maioria absoluta e, se não houver, só há duas opções para primeiro-ministro: ou eu, ou o líder do PS", António Costa.

Por isso, Rui Rio exige aos partidos uma "amostra de maturidade e estarem disponíveis para um diálogo sério, porque, caso contrário, o país vai estar de eleições em eleições permanentemente".

Rio salienta que o vencedor deve estar disponível para governar e quem perder para dialogar.

TUDO POR DECIDIR

A dez dias das eleições legislativas, Rio considera que "está tudo em aberto", com possibilidades de triunfo tanto para o Partido Socialista, que governa desde 2015 e favorito nas sondagens, como para o PSD.

Em plena campanha, durante uma paragem num percurso pela Guarda (centro do país), o candidato assegura à EFE que "a campanha vai bem" e que "tem notado um forte crescimento do PSD desde outubro e novembro", enquanto observa "uma queda do PS".

Em 2019, o PSD ficou com 27,7% dos votos e o PS, depois de governar com o apoio da esquerda desde 2015 na "geringonça", subiu até 36,3%.

Uma tendência que, argumenta Rio, aconteceu "depois de uma situação conjuntural favorável (ao PS), já que eram o contraponto aos tempos da troika (2011-2014) em que Portugal passou dificuldades enormes", numa etapa de Governo do PSD.

"Hoje as pessoas já o entendem e sabem que nós governámos durante a troika esses quatro anos sob um programa que não era o nosso, devido a uma bancarrota que o PS originou", afirma Rio, que em 2019 também foi candidato.

Para o líder conservador, a gestão da pandemia não vai influenciar o resultado final eleitoral.

No entanto, destaca que serviços públicos como o Serviço Nacional de Saúde (SNS) "se degradaram nestes seis anos", devido a "uma desorganização de raiz e uma péssima gestão".

PRIVATIZAÇÃO DA TAP

A companhia aérea portuguesa TAP é um dos argumentos mais usados por Rui Rio contra o seu principal rival, o primeiro-ministro socialista António Costa.

Com Rio no poder, a TAP voltará a ser privatizada, já que "o problema da TAP não tem nada a ver com a pandemia", alega. "A TAP tem um historial de perdas ao longo da sua vida", pelo que permanentemente se teve de injetar capital "que provém dos contribuintes portugueses".

Rio considera que se deve "voltar a fazer aquilo que o Governo do PSD já fez, privatizar a TAP e vender o melhor possível, bem vendida, a quem estiver interessado".

SALÁRIO MÍNIMO COM RIO

Rio teve de se defender de acusações de estar contra a subida do salário mínimo, um dos mais baixos da Europa (705 euros).

"É uma mensagem um pouco populista. Rui Rio não diz que não quer que o salário mínimo suba, pelo contrário. De facto, reconheço que o salário mínimo é baixíssimo", afirma.

"O problema está em que condições subimos o salário mínimo, porque se estamos a forçar administrativamente aquilo que a economia não aguenta, essas pessoas serão as primeiras prejudicadas quando depois se dá a volta", argumenta.

VOTO DE INDECISOS E CONFINADOS

Com máximos superiores aos 50.000 contágios diários, os especialistas estimam que cerca de 400.000 pessoas estarão confinadas por covid durante o domingo de eleições, um nicho de votos muito apetecível e que pode inclinar a balança.

O Governo avançou na quarta-feira que os confinados poderão sair para votar durante a última hora da tarde.

Neste sentido, Rui Rio diz que "há que encontrar uma forma prática, correta e democrática e ter elasticidade suficiente para perceber que mais importante que a lei que fixa os horários das votações é a Constituição que reconhece o direito de voto de toda a gente".

Sobre o voto indeciso, que algumas sondagens colocam em até 30%, o líder do PSD discrepa e assegura que "há indecisos, mas não muitos mais dos que normalmente há".

Por Carlos García