EFELisboa

A companhia aérea irlandesa Ryanair criticou Portugal por "desperdiçar" dinheiro dos contribuintes na TAP, empresa que considera "falida", enquanto que o Governo português acusa-a de se aproveitar da pandemia para atacar várias companhias aéreas europeias.

Estas posições foram transmitidas durante uma videochamada realizada esta quarta entre o presidente da Ryanair, Michael O'Leary, e o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, informaram ambos em comunicados.

A relação entre o Governo português e a Ryanair tornou-se tensa depois da Justiça europeia ter dado razão à companhia irlandesa na semana passada e anulado o aval da Comissão Europeia que permitiu resgatar a TAP em 2020.

O ministro português acusou então a Ryanair de tentar aproveitar a situação para ganhar negócio à TAP, algo que O'Leary negou durante a reunião desta quarta-feira.

A companhia "low-cost" disse em comunicado que não se trata de uma guerra comercial: "chama-se concorrência".

A Ryanair "não acredita que 3.000 milhões de euros dos escassos fundos dos contribuintes portugueses devam ser desviados do investimento em escolas, hospitais e outras infraestruturas bastante necessárias para subsidiar uma companhia falida e com preços altos como a TAP", assinala o documento.

O'Leary ressaltou ainda que é necessário investir e abrir o aeroporto complementar do Montijo, uma infraestrutura planeada ao sul de Lisboa que não avança devido a vários obstáculos, sobretudo o seu impacto ambiental.

GOVERNO REJEITA "INTROMISSÕES"

Noutro comunicado, o Ministério das Infraestruturas referiu que a Ryanair é uma empresa privada que não deve "interferir" nas decisões do Governo português, que "não aceita interferências ou lições de uma companhia aérea estrangeira que responde só aos seus acionistas".

O ministério ressaltou que a empresa irlandesa está a tentar "aproveitar" o impacto da pandemia para "atacar um conjunto de empresas europeias de central importância para vários Estados-membros".

"Face aos sistemáticos atos hostis de ataque à TAP, a Ryanair não deve esperar do Ministério uma atitude de cooperação ou mesmo de indiferença", avisou, e defendeu que o investimento na TAP é "estratégico e estrutural" para a economia portuguesa.

O Estado português controla a TAP desde o ano passado, quando chegou a um acordo com os acionistas privados da companhia aérea para aumentar a sua presença de 50% para 72,5% e salvá-la da falência.

A companhia aérea recebeu um empréstimo de 1.200 milhões de euros em troca da implementação de um plano de reestruturação.

No último mês de abril foi aprovada outra ajuda de 462 milhões, que a Ryanair também planeia apelar.