EFESan Millán de la Cogolla (Espanha)

O presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, assegurou esta sexta-feira que Espanha está "melhor preparada" para fazer frente aos novos surtos de coronavírus do que em março e abril, os momentos mais duros da pandemia no país.

Em declarações à imprensa, Sánchez quis lançar uma mensagem de confiança numa altura em que os focos de novos contágios aumentos, embora de maneira desigual, e vários países europeus desaconselham viajar às zonas mais afetadas, enquanto o Reino Unido mantém uma quarentena obrigatória a quem entre no país vindo de qualquer parte de Espanha.

Sánchez reúne-se esta sexta-feira em San Millán de la Cogolla (norte) com os presidentes regionais para tratar de assuntos como a forte crise económica causada pela pandemia, a distribuição de fundos europeus de recuperação e a situação epidémica, com 483 surtos ativos e 5.700 casos associados.

Uma comissão interministerial irá gerir o fundo de recuperação da UE para Espanha, com a supervisão de uma unidade de controlo das verbas.

Na declaração aos meios de comunicação, Sánchez indicou que partilha com os cidadãos a "angústia" que estes sentem por causa dos casos de transmissão que se acumulam, com mais de mil casos diários nos últimos dois dias.

Pedro Sánchez também valorizou a "enorme disciplina" e o esforço e "moral da vitória" dos espanhóis durante o severo confinamento de grande parte da população, que começou a 15 de março e terminou a 21 de junho.

Contudo, ao contrário de então, quando havia poucos conhecimentos sobre o novo vírus, Espanha está hoje "melhor preparada", assegurou.

Instituições, profissionais de saúde, regiões e o próprio governo espanhol estão mais bem preparados porque, segundo Sánchez, existem agora instrumentos e conhecimentos para lidar mais eficazmente com o coronavírus.

Por isso, opinou, a conferência dos presidentes regionais de hoje deve ser um "bom ponto de apoio" para abordar a recuperação económica, depois de se conhecer que o PIB espanhol caiu 18,5% no segundo trimestre do ano em relação ao primeiro.

"Esse momento passou", porque "após a resistência veio a recuperação económica", que já começou, disse Sánchez.

Como tal, apelou à "unidade" de todas as administrações e a uma procura necessária da "coesão territorial" para sair desta emergência económica nacional o mais rapidamente possível.

A reunião, no mosteiro de San Millán de la Cogolla (onde foram encontradas as primeiras palavras escritas em castelhano antigo) foi inaugurado pelo rei Felipe VI, com a presença de todos os presidentes regionais espanhóis exceto o independentista catalão Quim Torra, que se recusou a assistir.