EFENova Iorque

O presidente interino do Governo espanhol, Pedro Sánchez, lamentou esta quarta-feira a atitude que os partidos da oposição de Espanha tiveram ao impedir a sua investidura, afirmando que "usar o multipartidismo para bloquear é danificar a democracia".

O socialista Sánchez fez esta reflexão numa entrevista no Washington Post, na qual ressalta também as suas diferenças com o presidente americano, Donald Trump, e critica o seu protecionismo e a sua posição relativamente às alterações climáticas.

Um dia depois da convocatória oficial da repetição eleitoral em Espanha, Sánchez critica os seus oponentes por não terem reconhecido o mandato das eleições anteriores -nas quais ganhou o PSOE, embora longe da maioria para governar- e aponta que a reunião com as urnas do próximo 10 de novembro é "uma grande oportunidade para superar este bloqueio".

Por outro lado, Sánchez critica em vários momentos da entrevista as políticas de Donald Trump, lamentando que haja um presidente americano que não acredita nas alterações climáticas nem aprecia a "urgência" do momento atual nesta luta.

Também lamenta que, neste momento de tensão no Golfo, Trump tenha "posto em questão" o acordo nuclear com o Irão, que então foi "muito positivo para a paz e a segurança no mundo".

"É uma pena", apontou Sánchez, que esta terça-feira se reuniu com o presidente iraniano, Hassan Rohani, para lhe pedir que não abandone esse acordo.

Sánchez também rejeita a "retótica protecionista" de Trump quanto ao comércio, sobretudo pela decisão da Administração americana de classificar os seus parceiros europeus como "ameaças para a segurança nacional" com o objetivo de aumentar as tarifas em algumas das suas exportações.

Em qualquer caso, o líder espanhol confia que a relação transatlântica se possa salvar porque é algo que está acima das administrações.

Além disso, considera que o papel que a Europa deve assumir é o de criar mais equilíbrio na política global, uma necessidade que na sua opinião o atual Governo americano "intensificou".

Nesta semana na qual participou na Assembleia Geral da ONU e na Cimeira do Clima, Pedro Sánchez ressaltou que é importante mostrar às pessoas a forma progressista de enfrentar desafios como as alterações climáticas.

E também contrapõe a sua política à de Trump em matéria de imigração e defende a entrada segura de refugiados na Europa.

"Espanha aceita a diversidade como um ativo. Somos um país inclusivo", ressalta.