EFEBruxelas

O secretário-geral da Nato, Jens Stoltenberg, mostrou-se hoje "confiante" em que os aliados alcancem um acordo sobre os pontos fundamentais da sua defesa coletiva na cimeira que realizam hoje e quinta-feira em Bruxelas apesar dos "desacordos".

"Apesar destes desacordos, espero que estejamos de acordo no fundamental: que somos mais fortes juntos que separados, que a NATO tem que ser forte para proteger todos os aliados e que vamos cumprir no reforço da nossa defesa coletiva", disse Stoltenberg à sua chegada à reunião na sede da Aliança.

Stoltenberg disse que espera uma discussão "aberta e franca", também com o presidente americano, Donald Trump, e admitiu que os aliados chegam à cimeira com diferenças em temas relacionados com a Aliança mas também externos a ela, como o comércio ou o clima.

Neste sentido, Stoltenberg começou por destacar que esta cimeira "é de particular importância" porque, ao mesmo tempo que existem estes desacordos, os aliados "enfrentam desafios e ameaças de segurança sem precedentes".

Por isso, acrescentou, "é muito importante que a cimeira mostre que a NATO cumpre" com uma maior preparação das tropas, um aumento dos esforços para lutar contra o terrorismo com uma nova missão de treino no Iraque e mais apoio às forças de segurança afegãs, além de com um reforço da sua estrutura de comando com dois novos centros nos Estados Unidos e Alemanha.

Mas "mais importante é cumprir na partilha da carga da despesa em defesa", incidiu o secretário-geral aliado, que ressaltou que "após décadas de cortes em orçamentos de defesa", agora dá-se um aumento nos orçamentos para este fim.

A este respeito, perguntado pela reivindicação reiterada de Trump que os aliados cumpram o seu compromisso de destinar 2% do seu PIB a defesa, Stoltenberg apontou que o presidente americano "tem uma linguagem e mensagem muito direta" sobre o tema, "mas fundamentalmente todos estamos de acordo numa repartição justa da despesa".

O norueguês destacou que todos os aliados começaram a aumentar a despesa, e a NATO estima que os países europeus e o Canadá vão aumentar o seu orçamento de defesa em 266.000 milhões de dólares até 2024, e que em 2017 se deu "o maior aumento" nesta despesa na Europa "numa geração".

"Espero uma discussão franca e aberta sobre a despesa, que nos comprometamos a que os aliados têm que gastar mais e que também reconheceremos os progressos que começámos a fazer", disse.

Por outra parte, Stoltenberg, apontou que não depende da Aliança decidir sobre a construção do gasoduto Nord Stream II, que vai ligar a Rússia diretamente com a Alemanha, depois de Trump ter dito esta manhã que o país europeu está "totalmente controlado pela Rússia" devido à sua relação energética.

"Na Alemanha há diferentes opiniões sobre o gasoduto Nord Stream, isso é conhecido, mas não depende da NATO decidir, é uma decisão nacional", afirmou o secretário geral.