EFEBruxelas

A líder da oposição bielorrussa no exílio, Svetlana Tikhanovskaya, pediu esta quarta-feira à União Europeia (UE) que a pressão da comunidade internacional contra o regime do seu país "não se limite ao incidente do voo da Ryanair", o avião que foi forçado a fazer uma aterragem em Minsk para deter o jornalista Roman Protasevich.

"Peço ao Parlamento Europeu para que garanta que a reação da comunidade internacional não se limite ao incidente do voo da Ryanair", disse Tikhanovskaya numa intervenção por videoconferência no Parlamento Europeu, dois dias após os Chefes de Estado e de Governo da UE terem adotado novas sanções contra o regime bielorrusso, incluindo o fecho do seu espaço aéreo.

"A resposta deve abordar plenamente a situação na Bielorrússia, caso contrário voltaremos a viver estas situações no futuro, pois (o presidente bielorrusso Alexandr) Lukashenko está a tornar-se na Coreia do Norte da Europa", disse a líder opositora.

"A estratégia anterior da UE de manter uma posição passiva em relação ao regime bielorrusso não funcionou", lamentou Tikhanovskaya, a quem o Parlamento Europeu concedeu o Prémio Sakharov de Liberdade de Pensamento no ano passado.

Como tal, pediu expressamente à presidente da Comissão, Ursula Von der Leyen, para trabalhar com ela na criação de "um plano de apoio abrangente para a democratização da Bielorrússia".

"Devemos fazê-lo juntos, a presidente Von der Leyen e eu, para enviar uma mensagem clara aos cidadãos bielorrussos de que a Europa se preocupa com o futuro da Bielorrússia", disse.

Na cimeira realizada esta semana em Bruxelas, os líderes europeus proibiram as companhias aéreas bielorussas, incluindo a estatal Belavia, de aterrarem nos aeroportos da UE, e pediram às companhias aéreas comunitárias para não sobrevoar o espaço aéreo bielorusso.

Também concordaram em acrescentar mais pessoas à atual lista de sanções contra a Bielorrússia, que agora inclui 88 indivíduos e sete entidades, incluindo o próprio Lukashenko.

Tikhanovskaya apelou também a "enviar uma mensagem clara à Rússia e a outros Estados que queiram abusar da fraqueza de Lukashenko, e que qualquer acordo ou contrato assinado com ele seja revisto e possa ser anulado".

E exigiu que a UE não apoiasse financeiramente o regime e que impusesse um embargo sobre os produtos bielorrussos derivados de petróleo e de madeira.

Bruxelas, segundo Von der Leyen recordou na segunda-feira, tem 3.000 milhões de euros congelados à Bielorrússia "até que seja democrática".