EFELisboa

O Partido Socialista impôs-se em termos de votos em Portugal mas sofreu um severo castigo em Lisboa, onde os primeiros resultados provisórios avançam um empate técnico entre o candidato do PS e o da direita depois de um dia eleitoral marcado pela abstenção.

Depois da meia-noite em Portugal, quatro horas após o encerramento das urnas, ainda não havia dados oficiais que permitam aventurar se a balança em Lisboa vai inclinar para o socialista Fernando Medina -atual presidente da Câmara da capital- ou para o candidato do Partido Social Democrata, o antigo comissário europeu Carlos Moedas.

Governada pelos socialistas desde 2007, Lisboa foi a grande surpresa deste dia de eleições. Nenhuma das sondagens anteriores duvidava da liderança de Medina, e a ascensão da direita na capital é um golpe para o partido do primeiro-ministro, António Costa, que tem estado profundamente envolvido na campanha.

Em Coimbra, as sondagens apontam que o PS vai perder a Câmara Municipal para a coligação de direita liderada pelo PSD, embora mantenham a de Almada, a sul de Lisboa, que arrebataram aos comunistas há quatro anos.

Na segunda maior cidade do país, Porto, não houve surpresas e o independente Rui Moreira poderá governar por um terceiro e último mandato.

SOBRESSALTO SOCIALISTA, ALÍVIO PARA O PSD

Com 60% dos votos contados, o PS consolida-se como a força mais votada -38%-, seguido à distância pelo PSD -16,6%-, mas o revés de Lisboa chega como um balde de água fria nas fileiras socialistas, nas quais estava instalado o otimismo alimentado pelas sondagens antes das eleições.

Pelo contrário, os bons resultados em Lisboa e Coimbra representam um alívio para o PSD, a arrastar uma crise há vários anos e que tinha conseguido os seus piores resultados nas eleições de 2017, apenas 16,08% dos votos.

Se confirmado, poderá apoiar a liderança de Rui Rio, que repetiu em várias ocasiões que para ele as eleições municipais são mais importantes do que as legislativas e cujo futuro como líder da centro-direita poderá depender da noite de domingo.

O avanço da noite eleitoral irá também lançar luz sobre outro dos desconhecidos de domingo, o desempenho do Chega, partido de extrema-direita, nas suas primeiras autárquicas.

No seu último teste nas urnas, nas presidenciais de janeiro, o seu líder, André Ventura, foi o terceiro candidato mais votado, com cerca de 12%.

PRIMEIRO TESTE PÓS-COVID

As eleições deste domingo foram o primeiro teste nas urnas na era pós-covid.

Renovam-se 308 autarquias e outros organismos locais para os próximos quatro anos, nos quais os líderes serão os responsáveis por "gastar grande parte do dinheiro do orçamento e dos fundos europeus" para enfrentar a situação económica e social após a pandemia, como recordou o presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, depois de votar.

As eleições encontram o país com 85% da população já totalmente vacinada e a maioria das restrições impostas pela pandemia prestes a ser levantada.

Este domingo foram registadas duas mortes por covid-19, o valor mais baixo desde 6 de julho, e 599 contágios, o terceiro número mais baixo em três meses, apenas ultrapassado pelo dado de segunda-feira (quando as infeções são geralmente mais baixas porque são realizados menos testes ao fim de semana).

A incidência a 14 dias é de 127.3 casos por 100.000 habitantes.

Com esta situação, os portugueses não acreditam que a pandemia seja um fator determinante para ir ou não votar: "O efeito será nulo", disse um eleitor à Agência EFE depois de votar este domingo no centro de Lisboa.

Por Paula Fernández