EFEWashington

O presidente saliente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou esta segunda-feira que deu autorização à transferência de poder ao democrata Joe Biden, vencedor das eleições presidenciais, mas continuou sem reconhecer a sua derrota.

"Quero agradecer a Emily Murphy, da GSA (Administração Geral de Serviços) pela sua inabalável dedicação e lealdade ao nosso país. Foi assediada, ameaçada e alvo de abusos -e eu não quero ver isso a acontecer com ela, a sua família ou funcionários da GSA. O nosso caso continua FORTEMENTE, vamos continuar com a boa luta, e acredito que prevaleceremos", escreveu Trump no Twitter.

"No entanto, no melhor interesse do nosso país, recomendo que a Emily e a sua equipa façam o que precisam de fazer em relação aos protocolos iniciais (da transição), e eu disse à minha equipa para fazer o mesmo", acrescentou.

Desde a projeção pela imprensa da vitória de Biden no último dia 7, Trump não reconheceu a sua derrota e alegou ser vítima de fraude eleitoral, sem oferecer nenhuma prova.

Os advogados da campanha do presidente entraram com várias ações judiciais em estados onde alega que houve fraude, mas os tribunais têm gradualmente rejeitado a maioria destas.

O anúncio de Trump foi feito logo após a divulgação de uma carta enviada por Murphy a Biden na qual certificava a sua vitória.

Este reconhecimento pela GSA foi um passo necessário para dar a Biden acesso a recursos-chave para fazer a transição.

Na sua carta, a administradora da GSA disse ter determinado que o democrata pode aceder a "recursos pós-eleitorais" para iniciar a transição.

"Levo este papel a sério e, devido a eventos recentes envolvendo desafios legais e certificação de resultados eleitorais, envio esta carta hoje para tornar esses recursos e serviços disponíveis", disse Murphy no texto.

Murphy defendeu que a decisão é independente, baseada em lei e nos fatos, e negou ter recebido qualquer pressão da Casa Branca quanto ao momento da sua resolução.

"Para ser clara", enfatizou, "não recebi instruções para atrasar a minha decisão. No entanto, recebi ameaças online, por telefone e correio contra a minha segurança, a segurança da minha família, a segurança dos meus funcionários e até mesmo dos meus animais de estimação, num esforço para me coagir a tomar esta decisão prematuramente", denunciou.

No entanto, defendeu que sempre esteve comprometida com a legalidade e lembrou que a sua agência não resolve disputas legais sobre as eleições, que devem ser resolvidas pelo processo de certificação e pelos tribunais.

Devido à falta de confirmação da GSA, até agora Biden e a sua equipe não tinham acesso aos recursos das agências federais para trabalhar na transição de poder.