EFEWashington

O presidente dos EUA, Donald Trump, comparou esta quinta-feira com um "espião" o funcionário de inteligência que apresentou uma queixa interna por causa da sua chamada com o seu homólogo ucraniano, Vladimir Zelenski, e sugeriu que essa pessoa cometeu uma "traição".

O líder americano fez este comentário durante um encontro privado e informal com os membros da missão dos Estados Unidos nas Nações Unidas e as suas famílias, após assistir esta semana à Assembleia Geral que este organismo internacional realizou em Nova Iorque.

Embora o comentário tenha sido feito em privado, meios de comunicação americanos conseguiram vídeos nos quais se ouvem as palavras ditas por Trump.

"Isto é algo parecido com um espião. Sabem o que costumávamos fazer nos velhos tempos quando éramos espertos, certo? Com os espiões e a traição, certo?", disse Trump, de acordo com uma transcrição do The Washington Post.

"Costumávamos gerir um pouco diferente de como o fazemos agora", acrescentou, segundo o Los Angeles Times.

O "leak" da chamada, na qual Trump pediu a Zelenski que investigasse a família do ex-vice-presidente Joe Biden por suposta corrupção na Ucrânia, levou os democratas a dar início a um processo de julgamento político contra o presidente.

O jornal The New York Times revelou esta quinta-feira que o autor da explosiva queixa interna contra Trump é um agente da CIA que trabalhou algum tempo na Casa Branca, mas que já regressou aos escritórios da agência.

O jornal não menciona o nome do informante, mas considera que se deve tratar de um experiente analista com conhecimento da relação entre Washington e Kiev, já que redigiu com grande precisão a sua denúncia de nove páginas, tornada pública esta quinta-feira.

Essa queixa oferece uma vívida compilação de datas, lugares e protagonistas do que poderá ser a trama ucraniana, em recordação da "trama russa".

"No desempenho das minhas funções -escreve o agente da CIA-, recebi informação de múltiplos funcionários do Governo que asseguram que o presidente dos EUA usou o poder que lhe confere o cargo para solicitar a ingerência de um país estrangeiro nas eleições de 2020".

O informante remeteu a sua queixa aos serviços de espionagem dos EUA há seis semanas, mas não se pôde publicar até agora porque a informação estava classificada, explicou esta quinta-feira o diretor interino da Inteligência Nacional, Joseph Maguire, num comité do Congresso.

Maguire assegurou que a atual situação apresenta um caso "único e sem precedentes", e afirmou que o informante atuou "de boa fé", tentando defendê-lo dos ataques de Trump, que o acusa de atuar por motivos políticos.

Os democratas anunciaram esta terça-feira a abertura de um processo de julgamento político contra Trump após conhecer detalhes do pedido do presidente a Zelenski, que consideram uma "traição" à segurança nacional dos EUA.