EFEWashington

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse esta terça-feira que contempla o veto da entrada de voos procedentes do Brasil, terceiro país com mais casos de infeção da COVID-19, e que gostaria de suspender "o mais rápido possível" a proibição de viagens com origem na Europa.

"Estamos a considerar, mas esperamos não ter um problema", disse Trump em resposta a uma pergunta sobre se está a pensar em impor um veto aos viajantes que chegam do Brasil durante uma reunião com membros do Governo na Casa Branca.

O Brasil tem mais de 250 mil casos confirmados de contágio pelo coronavírus e quase 17.000 mortes, e a tendência é que ultrapasse a Rússia nos próximos dias em número de infeções, ficando apenas atrás dos EUA entre os países mais afetados pela pandemia.

"Não quero que as pessoas venham (infetadas) e infetem o nosso povo", reiterou o presidente americano, além de dizer que "a maioria" dos viajantes de Brasil e do restante da América Latina têm a Flórida como destino quando vão aos EUA.

"O Brasil seguiu o caminho de (a imunidade de) grupo, sabem o que é, e está a ter problemas, não há dúvidas", acrescentou Trump.

A Casa Branca já tinha vetado a entrada nos EUA de viajantes da China e da maior parte da Europa para conter a propagação do coronavírus, algo que não impediu o país de ultrapassar 1,5 milhão de casos e 91.000 mortes.

"Para mim, o fato de termos tantos casos (contabilizados) é uma medalha de honra", afirmou Trump no encontro, alegando que os números representam a capacidade do país de realizar testes em massa para detecção do coronavírus.

Trump já tinha especulado a ideia de proibir viagens procedentes do Brasil durante uma conferência de imprensa no dia 31 de março. Desde então, os casos no país multiplicaram-se em mais de 40.

A 28 de abril, o presidente pediu ao governador da Flórida, Ron DeSantis, a sua opinião sobre a possível imposição de uma proibição de voos do Brasil e de outros países latino-americanos durante uma reunião na Casa Branca.

O governador respondeu que só aconselharia tal ação se esses viajantes estivessem "a espalhar" a doença no estado, e Trump pediu-lhe que o mantivesse informado.

DeSantis então frisou que preferia, em vez de vetar viajantes, exigir que eles fossem testados para o coronavírus antes de embarcar em voos rumo aos Estados Unidos, e Trump respondeu que estava a pensar no assunto e que "provavelmente" o faria.

Perguntado esta terça-feira quando suspenderá a proibição de entrada nos EUA de pessoas procedentes da maior parte da Europa, Trump declarou que "adoraria reabrir o mais rápido possível", mas fez uma ponderação.

"É preciso ter a certeza de que estamos bem (nos esforços para conter a pandemia) e que eles estão bem", disse.

A suspensão da maior parte das viagens com origem na Europa rumo aos EUA começou no dia 14 de março por um período inicial de 30 dias, que posteriormente foi renovado.