EFEWashington

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta madrugada que a situação na fronteira com o México é uma "crise crescente", apesar da drástica redução do número de detenções nesta divisória nas últimas duas décadas.

"Meus queridos americanos, hoje eu falo convosco porque há uma crescente crise humanitária e de segurança na nossa fronteira sul", disse Trump durante um discurso à nação.

Após o discurso presidencial, o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, e a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, que tinham solicitado o "mesmo tempo no ar", responderam às declarações de Trump e exigiram que o Governo fosse reaberto.

Trump dirigiu-se ao país no 18º dia do terceiro fecho parcial administrativo que o seu Governo enfrenta e que não dá sinais de solução, pois democratas e republicanos parecem irredutíveis nas suas posturas em relação ao muro fronteiriço.

Essa cessação parcial das atividades administrativas é a segunda mais longa dos Estados Unidos desde 1976, depois da enfrentada pelo então presidente Bill Clinton entre 16 de dezembro de 1995 e 6 de janeiro de 1996.

Apesar das seguidas afirmações de Trump sobre a crise de fronteira que os EUA estão a enfrentar atualmente, o número de pessoas que foram detidas no limite com o México diminuiu drasticamente nas últimas décadas.

No ano 2000, 1,6 milhão de pessoas foram detidas ao tentar cruzar a fronteira sul com os Estados Unidos, número que caiu para menos de 400 mil em 2018, segundo dados oficiais.

A retórica contra a imigração ilegal de Trump entrou em vigor no seu primeiro ano de mandato, em 2017, quando cerca de 310 mil pessoas foram presas por atravessar ilegalmente a fronteira.

O discurso presidencial foi precedido pela incerteza sobre a possibilidade de Trump declarar emergência nacional, um mecanismo que lhe permitiria usar fundos militares na construção do muro.

Além de várias agências que tiveram que suspender algumas das suas funções devido à falta de recursos, aproximadamente 420 mil funcionários considerados essenciais continuaram a trabalhar sem receber salário, enquanto outros 380 mil permanecem em licença, também sem remuneração, informou a imprensa local.

Na próxima quinta-feira, Trump irá para a fronteira sul, onde espera reunir-se com as autoridades para conhecer em primeira mão a situação na região.

Desta forma, o presidente procura conseguir apoio para construir o muro com o México, uma das principais promessas de campanha e um recurso que considera vital para garantir a segurança na fronteira.