EFEBruxelas

A União Europeia (UE) e o Reino Unido vão tentar nas próximas semanas superar a estagnação no qual o "brexit" se encontra, apesar de Bruxelas continuar a descartar a renegociação do acordo de saída e a salvaguarda irlandesa incluída nesse pacto.

Após o encontro desta quinta-feira entre o presidente da Comissão Europeia (CE), Jean-Claude Juncker, e a primeira-ministra britânica, Theresa May, ambos emitiram um comunicado no qual asseguravam ter combinado que as suas equipas "deveriam manter conversas sobre se é possível encontrar um caminho que obtenha o maior apoio possível" em Londres e respeite a postura da UE.

O texto acrescentava que May e Juncker vão-se encontrar novamente antes do fim de fevereiro.

Além disso, o Executivo comunitário anunciou ontem que na próxima segunda-feira o negociador-chefe da União Europeia para o "brexit", Michel Barnier, e o ministro britânico para a saída da UE, Stephen Barclay, terão uma reunião em Estrasburgo (França).

Apesar dos anúncios sobre novos encontros e conversas, Juncker ressaltou após a reunião de quinta-feira com May que a UE não vai renegociar o acordo de saída, embora se tenha mostrado disposto a modificar a declaração política sobre a futura relação da União Europeia com o Reino Unido.

"O presidente Juncker (...) expressou a sua disposição para rever a redação da declaração política estipulada pela UE a vinte e sete e o Reino Unido, para ser mais ambicioso em termos de conteúdo e velocidade no relativo à futura relação entre a União Europeia e o Reino Unido", segundo o comunicado conjunto.

No passado 25 de novembro, os líderes dos vinte e sete países que irão continuar na UE após o "brexit" apoiaram o pacto de saída do Reino Unido, que inclui a solução de emergência para a Irlanda, e uma declaração política com as linhas gerais sobre a futura relação entre Londres e Bruxelas.

A governante britânica viajou quinta-feira a Bruxelas depois da Câmara dos Comuns ter aprovado a 29 de janeiro uma emenda que pedia renegociar a salvaguarda para evitar uma fronteira física entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte, o elemento mais problemático para ratificar o pacto de saída no Parlamento de Westminster.

Num encontro que durou menos de duas horas, Juncker reiterou que a UE não vai renegociar o acordo de saída e, portanto, a salvaguarda irlandesa incluída nele.

O comunicado conjunto acrescentava que May descreveu "o contexto no Parlamento do Reino Unido e a motivação" pela qual se votou a emenda para renegociar a salvaguarda, que na sua forma atual propõe que todo o Reino Unido permaneça na união aduaneira após o "brexit" e que a Irlanda do Norte se alinhe com certas normas do mercado único para evitar uma fronteira física na ilha.

No entanto, essa solução de emergência só entraria em vigor se durante a transição, na qual a UE e o Reino Unido vão negociar a sua futura relação, que em princípio irá terminar a 31 de dezembro de 2020, não for conseguido uma alternativa.

Segundo o comunicado conjunto de Juncker e May, a governante propôs "várias opções" para fazer frente às preocupações dos deputados britânicos sobre a salvaguarda.

Mesmo assim, nem o presidente da Comissão nem a líder conservadora, que também se reuniu com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, deram mais detalhes.

Fontes comunitárias indicaram à Efe que durante a reunião de quinta-feira Tusk "sugeriu" à primeira-ministra que o plano do líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, "poderia ser uma forma de sair do 'impasse'".

Corbyn ofereceu ontem apoiar o pacto do "brexit" caso este inclua uma união aduaneira, um "alinhamento próximo" com o mercado único que permita "instituições compartilhadas" entre ambos lados do canal da Mancha, replicar os "direitos e proteções" comunitárias, participar nas agências e programas de fundos europeus, assim como compromissos "não ambíguos" sobre cooperação em segurança.

As fontes europeias acrescentaram que May não ofereceu "nenhuma proposta nova, concreta" sobre como seguir em frente, enquanto o próprio Tusk escreveu no Twitter após a reunião que "ainda não há avanços à vista".

Por sua parte, a primeira-ministra britânica insistiu após a reunião na realização de mudanças legalmente vinculativas no acordo de saída.

"Com essas mudanças na salvaguarda irlandesa, junto ao trabalho que temos vindo a fazer nos direitos dos trabalhadores e noutras áreas, vamos alcançar uma maioria estável no Parlamento", afirmou May.