EFEBruxelas

A União Europeia (UE) não reconhece a tomada de posse de Alexandr Lukashenko como presidente da Bielorrússia devido aos "resultados falsos" das eleições presidenciais realizadas no país no passado dia 9 de agosto, disse esta quinta-feira o alto representante da UE para a Política Exterior, Josep Borrell.

"A União Europeia não reconhece os resultados falsificados. Nesta base, a chamada 'inauguração' de 23 de setembro e o novo mandato reivindicado por Alexandr Lukashenko carecem de toda a legitimidade democrática", disse Borrell em comunicado.

À luz da situação atual, "a UE está a rever as suas relações com a Bielorrússia", indicou.

Borrell reiterou que as eleições presidenciais de 9 de agosto "não foram nem livres nem justas".

O representante da UE acrescentou que a cerimónia realizada na Bielorrússia na quarta-feira "contradiz diretamente a vontade de uma grande parte da população" do país, "como foi dito em numerosos protestos pacíficos sem precedentes desde as eleições" e que serve "para aprofundar a crise política na Bielorrússia".

A posição da UE "é clara: os cidadãos bielorrussos merecem o direito de serem representados por aqueles que escolhem livremente através de eleições novas, inclusivas, transparentes e credíveis", disse Borrell.

O político espanhol indicou ainda que os 27 estão "impressionados" com a coragem do povo da Bielorrússia, "que continua a se manifestar pacificamente pela democracia e pelos seus direitos fundamentais, apesar da brutal repressão das autoridades" desse país.

O chefe da diplomacia europeia salientou a solidariedade com os cidadãos bielorrussos e apoiou o seu direito de eleger um presidente sob a supervisão da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Borrell reiterou também que espera que as autoridades bielorrussas cessem imediatamente os atos de repressão e violência e libertem imediata e incondicionalmente os detidos, "incluindo os presos políticos".

Neste contexto, afirmou que a UE está segura de que um diálogo nacional inclusivo, respondendo às exigências da população do país para novas eleições, é "a única forma de encontrar uma saída para a grave crise política".

O autoritário presidente da Bielorrússia, Alexandr Lukashenko, tomou posse esta quarta-feira numa cerimónia que foi mantida em segredo até ao último minuto devido à vaga de protestos anti-governamentais na antiga república soviética desde as eleições de 9 de agosto.

O presidente assinou o juramento de posse, após o qual recebeu as suas credenciais como chefe de Estado das mãos da presidente da Comissão Eleitoral Central (CEC) da Bielorrússia, Lidia Yermoshina.

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