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Enquanto em Espanha se espera a estabilização da curva da epidemia nos próximos dias, as unidades de cuidados intensivos (UCI) dos hospitais estão à beira do colapso, com mais de 5.200 internados, e o frágil apoio da oposição ao Governo de esquerda quebra com a medida de suspensão de atividades não essenciais.

A pandemia de coronavírus estendeu-se rapidamente e passou dos 73 casos no primeiro dia do mês aos 94.417 desta terça-feira, com o qual Espanha está à frente da China -origem do contágio- e se torna no país mais afetado da Europa, atrás de Itália.

Embora a percentagem de casos tenha abrandado, o que leva os especialistas a pensar que o ponto mais alto da curva está perto, a ocupação das UCI está ao máximo, sobretudo nas regiões mais afetadas: Madrid e Catalunha, onde estas unidades estão a 80% de ocupação.

Sucedem-se as queixas dos funcionários de saúde por falta de material, tanto médico como de proteção, ao qual se soma o número de afetados no setor, que passa dos 12.000.

Outro dado preocupante é o número de falecidos, que esta terça-feira chegou a 8.189, mais 849 vítimas face ao dia anterior.

Dado que o melhor remédio para vencer o vírus é travar os contactos sociais e a mobilidade, a partir desta terça-feira está plenamente em vigor o decreto do Governo espanhol sobre a suspensão de toda a atividade exceto as consideradas essenciais, até nove de abril.

Mas esta medida, reivindicada pelos sindicatos, quebrou o frágil consenso que existia à volta do Governo do socialista Pedro Sánchez, que desde o início da crise centralizou todas as decisões sobre a mesma, uma medida extraordinária num Estado onde as regiões (Comunidades autónomas) têm uma ampla autonomia.

As críticas à decisão de colocar a economia a “hibernar” vêm tanto por parte de empresários como de partidos políticos, sobretudo do conservador Partido Popular (PP), principal grupo de oposição.

Mas também do Partido Nacionalista Basco, um dos grupos que dá apoio parlamentar ao Executivo de coligação progressista.

Enquanto isso, o Governo procura suavizar as consequências da paralisação económica com medidas a favor dos grupos mais afetados, como os trabalhadores autónomos ou as pessoas que não conseguem pagar o aluguer das suas casas depois do fecho da atividade, que tem previsto aprovar esta terça-feira.