EFEEstrasburgo (França)

A candidata designada a presidir a Comissão Europeia (CE), a alemã Ursula von der Leyen, comprometeu-se esta terça-feira a que a Europa seja o primeiro continente neutro para o meio ambiente no ano 2050.

"Eu quero que a Europa seja o primeiro continente neutro em termos de clima no ano 2050", declarou a política germânica durante o seu discurso de posse no Parlamento Europeu.

Para se converter num continente climáticamente neutro seria necessário que até 2050 o clube comunitário não emitisse à atmosfera mais substâncias poluentes das quais o território possa absorver.

"Para que isto aconteça, temos que ser audazes. O nosso atual objetivo de reduzir as emissões em 40% até 2030 é insuficiente. Temos que ir à frente, temos que ambicionar mais. É preciso um enfoque em dois passos para reduzir as emissões de CO2 a 2030 até 50 ou inclusivamente 55%", explicou.

Von der Leyen acrescentou que a União Europeia será "o paladino nas negociações internacionais para aumentar o nível de ambição de outras economias" porque, segundo expôs, "para que haja um impacto positivo, não temos apenas que ser ambiciosos" na UE.

"Vou propor uma nova política verde para a Europa nos primeiros 100 dias do meu mandato. Vou propor a primeira lei europeia para o clima que vai traduzir os objetivos para 2050 em leis concretas", anunciou.

A alemã assinalou que essa "ambição" precisa de "investimentos a grande escala" e que os fundos públicos não serão suficientes.

"Vou propor um plano de investimento para uma Europa sustentável e vou tornar parte do Banco Europeu de Investimentos num Banco Climático. Isto irá desbloquear um bilião de euros de investimento na próxima década", antecipou, e adiantou que haverá mudanças e que todos os setores económicos e cidadãos terão que contribuir, desde a aviação até ao transporte marítimo, assim como "o modo em que cada um de nós viaja e vive".

"As emissões devem ter um preço que mude o nosso comportamento. Para completar este trabalho e garantir que as empresas competem em igualdade de condições introduzirei um imposto sobre o carbono na fronteira para evitar a fuga de carbono", completou.

Von der Leyen destacou que o "desenvolvimento mais urgente é manter o nosso planeta em estado são", o que considerou a "maior responsabilidade e oportunidade" da atualidade.

Por outro lado, defendeu que a União Europeia responda a desafios como o envelhecimento da população, a crise climática ou a digitalização através do multilateralismo.

"Houve diferentes formas de responder a estas tendências: alguns orientam-se para regimes autoritários. Outros estão a comprar uma influência global e criam dependências investindo em portos e estradas e outros viram-se para o protecionismo. Para nós, nenhuma destas opções vale. Nós queremos multilateralismo, comércio justo", apontou, e mostrou a sua preferência pela "ordem baseada em regras".

"Temos que o fazer à europeia", disse, e apelou à unidade entre os Estados membros da UE.

Em matéria migratória, assegurou que "salvar vidas no mar é uma obrigação".

Ursula von der Leyen, até agora ministra da Defesa alemã, precisa esta terça-feira do apoio da maioria absoluta do Parlamento Europeu para se tornar a 1 de novembro na primeira mulher a presidir a Comissão Europeia.