EFEBruxelas

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, avisou esta quarta-feira que "não é o momento" de retirar o apoio político à economia enquanto o coronavírus persistir, e apelou a um apoio financeiro equilibrado e à sustentabilidade fiscal.

"Podemos esperar que as nossas economias recomecem a mover-se após uma queda de 12% do Produto Interno Bruto no segundo trimestre, mas enquanto o vírus estiver à espreita, também estará a incerteza na Europa e em todo o mundo, pelo que este não é definitivamente o momento de retirar o apoio", disse Von der Leyen durante o seu discurso sobre o Estado da União.

A política alemã deixou claro que "as nossas economias precisam de um apoio político contínuo e que temos de encontrar um equilíbrio delicado entre a prestação de apoio financeiro e a garantia da sustentabilidade fiscal".

A longo prazo, considerou que "não há melhor maneira" de reforçar a estabilidade e a competitividade do que através de uma união económica e monetária.

"A confiança no euro nunca foi tão forte (...) Devemos agora aproveitar esta oportunidade para fazer reformas estruturais nas nossas economias e completar a união do mercado de capitais e a união sindicato bancário", sublinhou.

Von der Leyen recordou também que, devido à pandemia, a CE agiu rapidamente para flexibilizar as suas regras sobre auxílios estatais e autorizou mais de 3 biliões de euros para apoiar a indústria e as empresas, enquanto o Banco Central Europeu, por sua vez, tomou "ações decisivas".

A presidente comunitária disse que a UE aplicou em "tempo recorde" os seus próprios instrumentos comuns para completar os estabilizadores fiscais nacionais.

Von der Leyen recordou que as PMEs são "o motor da nossa economia e serão o motor da nossa recuperação" e que cerca de 40 milhões de pessoas solicitaram apoio através de modelos como o 'lay-off'.

Disse que 16 Estados-membros, "da Lituânia a Espanha", receberão "em breve" cerca de 90.000 milhões do programa comunitário de mitigação dos riscos do desemprego, denominado SURE, que "protegerá milhões de empregos".

Também destacou as oportunidades oferecidas pelo mercado único e considerou-o "crucial para gerir a crise e recuperar a nossa força", pelo que instou a "dar-lhe um impulso" e a quebrar as barreiras que ainda enfrenta, bem como a "restaurar as quatro liberdades" em que se baseia "totalmente e o mais rapidamente possível".

Von der Leyen referiu-se em concreto à liberdade de circulação dos cidadãos, capital, bens e serviços.

"Vamos propor uma nova proposta para o futuro de Schengen", disse a alemã acerca da livre circulação de pessoas entre os países da UE, que se viu afetada por restrições de viagem durante a pandemia.

Referiu-se também à estratégia industrial que a CE apresentou em março para liderar a transição verde e digital, e considerou que os últimos seis meses "apenas a aceleraram" e agora, com o novo panorama aberto pela pandemia, esperam adaptá-la na primeira metade de 2021, assim como o quadro jurídico sobre a concorrência.

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