EFELisboa

18% dos pacientes internados por coronavírus em Portugal que receberam alta continua no hospital durante quase duas semanas por não ter para onde ir, seja por falta de espaço das famílias, cuidadores ou lares de idosos para garantir o isolamento, revela hoje um barómetro.

Os dados são de um estudo especial da Associação Portuguesa Administradores Hospitalares (APAH), que analisou no passado 5 de maio quantos pacientes com COVID-19 que já não precisam de internamento continuam nos hospitais.

No estudo, no qual participaram 32 instituições, comprovou-se que 810 pacientes internados com coronavírus, 147 já não precisavam de estar no hospital mas continuavam lá, o que representa 18% do total.

Encontrar uma solução para estas pessoas demora tempo e provoca que passem uma média de 16,5 dias de "internamento inapropriado", segundo o barómetro, que aponta que 56% das pessoas nesta situação são mulheres.

Na imensa maioria correspondem a pessoas de terceira idade: 55% tem 80 ou mais anos, 22% tem entre 70 e 79, e 9% entre 60 e 69 anos.

O presidente da APAH, Alexandre Lourenço, explicou hoje à imprensa portuguesa que as principais razões apontam à "incapacidade de resposta de familiar ou cuidador" pelo contexto da pandemia, que se dá em 20% dos casos.

Também tem influência a falta de capacidade de lares para garantir as condições de isolamento necessárias, algo que acontece em 23% dos casos, e 21% espera dar negativo no teste de coronavírus para ser admitido na Rede Nacional de Cuidados Continuados.

Lourenço espera que este estudo sirva de aviso para eventuais novos surtos de coronavírus.

"Se tivéssemos uma maior pressão sobre o sistema de saúde, estes pacientes acabariam por ocupar camas que deveriam ser utilizadas por outros pacientes de COVID-19 que realmente precisam de estar integrados", reflete.

Lourenço chamou à atenção sobre a burocracia necessária para que estas pessoas possam passar a convalescença noutros lugares, que na sua opinião correspondem agora a "processos do século passado" e deveria ser "agilizado".

As autoridades de saúde da região de Lisboa está já à procura de soluções para pessoas nesta situação, que poderão ser transferidas a outros centros hospitalares ou a "estruturas específicas", disse este domingo a ministra da Saúde, Marta Temido.

"A circunstância de que muitos hospitais do SNS (Sistema Nacional de Saúde) tenham sistematicamente pacientes internados", disse Temido, "não é uma especificidade associada à COVID-19. É um fenómeno complexo, que exige múltiplas respostas sobre as quais estamos a tentar trabalhar e que nos preocupam", assegurou.