EFELisboa

A greve de motoristas de Portugal debilitou-se após o acordo alcançado entre a patronal e um dos sindicatos convocantes para voltar à mesa de negociação, embora a central maioritária no setor não tenha juntado ao pacto e mantém o protesto.

O acordo, conseguido com a mediação do Governo, entre a Associação Nacional de Motoristas Públicos de Estrada de Mercadorias (Antram) e o Sindicato Independente de Motoristas de Mercadorias (SIMM) isola o poderoso Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (Snmpp).

"A greve vai ser desconvocada. Chegamos à conclusão que esta greve não surtiu os efeitos que desejávamos, mas surtiu em alguma parte", afirmou ao fio da meia-noite de quinta-feira Anacleto Rodrigues, porta-voz do SIMM, sindicato que representa 2% dos trabalhadores do setor.

O ministro de Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, que tinha ressaltado nas últimas horas a sua vontade de apressar a negociação para acabar com o protesto, convidou o sindicato que ainda mantém a greve a desconvocá-la para avançar no diálogo.

"Não podemos negociar sobre uma greve. O natural é que desconvoque a greve para começar o processo de negociação", afirmou ontem à noite.

A greve foi convocada pelos dois principais sindicatos do setor para reivindicar o cumprimento do acordo salarial alcançado em maio passado.

O Governo do socialista António Costa interveio na greve na segunda-feira, apenas umas horas depois do seu início, por considerar que não se cumpriam os serviços mínimos e para evitar o desabastecimento em pontos estratégicos.