EFELisboa

O aeroporto de Lisboa, epicentro da greve da empresa de assistência em terra Groundforce, que levou ao cancelamento de mais de 600 voos no fim de semana, retoma esta segunda-feira a normalidade de forma progressiva, com apenas algumas filas de passageiros afetados que procuram informações e recuperar a sua bagagem.

Segundo a informação disponível no site do aeroporto da capital portuguesa, onde aconteceram mais de 90% dos cancelamentos, praticamente todos os voos de saída programados para esta segunda descolaram.

Enquanto isso, nas aterragens foram apenas registadas algumas suspensões, que se referem principalmente a rotas procedentes de cidades brasileiras como São Paulo ou Fortaleza.

A atividade estabilizou-se depois de um fim de semana caótico causado pela greve de trabalhadores da Groundforce, a principal empresa de 'handling' de Portugal, com cerca de 70% do mercado, que exigem o pagamento pontual dos seus salários, que sofreram atrasos este ano, e dos subsídios de férias.

Foram cancelados mais de 270 voos de e para Portugal no sábado e mais de 320 no domingo, a grande maioria em Lisboa, onde milhares de passageiros ficaram em terra e protagonizaram cenas de tensão devido à falta de informação que denunciaram ter.

Grande parte das dúvidas referiam-se ao estado das malas já registadas e que muitos não conseguiram recuperar devido ao cancelamento da sua viagem.

Esta reclamação é uma das principais vistas hoje no aeroporto de Lisboa, onde as filas para resolver problemas como a programação de voo alternativo convivem com a espera para repetir o teste de covid exigido para voar, pois a validade do negativo original que tinham já caducou.

A Groundforce tem o seu capital dividido entre a portuguesa Pasogal, proprietária de 50,1%, e a companhia aérea TAP -sob controlo do Estado-, com 49,9%.

O presidente do convocante Sindicato dos Técnicos de Handling de Aeroportos, André Teives, disse num primeiro balanço do fim de semana à SIC que tanto a Groundforce como o Governo são responsáveis por se ter chegado a esta situação, acusando-os de ter tido "um comportamento que não é adulto".

O sindicato denuncia que os trabalhadores "estão em instabilidade há seis meses", quando se destapou a grave situação financeira da empresa com a caída do tráfego aéreo causada pela pandemia de covid-19.

Teives reiterou que se não houver avanços nos próximos dias na solução da sua situação, os trabalhadores vão realizar outra greve no fim de semana de 31 de julho e 1 de agosto até ao dia 2, segunda-feira.