EFELisboa

As reservas britânicas para os destinos turísticos portugueses do Algarve e do arquipélago da Madeira multiplicaram-se desde que o Reino Unido colocou Portugal na lista verde de destinos que não requerem quarentena no regresso.

O interesse dos operadores turísticos britânicos disparou desde a semana passada, quando Londres anunciou que Portugal entra a partir do dia 17 na lista "verde", e alimenta as expectativas do setor turístico português, que, no entanto, reconhece que este ano não irá atingir os níveis de 2019.

Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador da cadeia hoteleira portuguesa Vila Galé, explicou hoje à Efe que, apesar do aumento das reservas verificado nos últimos dias, "a procura é ainda bastante inferior da esperada numa época normal".

A cadeia prevê uma taxa de ocupação média de 60% nos seus 27 hotéis em Portugal com picos de 80 ou 90% em alguns durante o mês de agosto.

O anúncio de Londres traduziu-se imediatamente num aumento do preço dos bilhetes de avião para Portugal, que chegaram a duplicar o seu preço médio nos voos a partir de 17 de maio.

Para além do turismo britânico, que normalmente prefere o Algarve -sul do país-, o setor confia na evolução do mercado interno -como aconteceu em 2020-, do seu vizinho espanhol, e dos brasileiros e americanos a partir de setembro, em função da evolução da pandemia.

UNIFICAÇÃO DE CRITÉRIOS TURÍSTICOS NA EUROPA

"Há medo, muitos países estão com atrasos na vacinação e a Europa tem que unificar critérios turísticos", diz o vice-presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Alexandre Marto.

Em declarações à Efe, Marto ressalta a necessidade de que os países da UE unifiquem critérios de mobilidade turística para melhorar a confiança do público e acabar com os medos trazidos pela pandemia.

Há muitos operadores turísticos que oferecem viagens conjuntas por diferentes países da UE que tiveram que pôr fim à sua atividade devido à falta de previsão, lamenta, dando como exemplo o caso do turismo religioso, que costuma oferecer pacotes a Fátima, Roma ou Santiago de Compostela.

Como tal, "a unificação de critérios turísticos" é fundamental para o setor, conclui Marto, que gere hotéis junto ao Santuário de Fátima.

Em 2019, Portugal lucrou mais de 18.400 milhões de euros com o turismo, 8,7% do pib.

Contudo, em 2020, a pandemia levou o país a perder três em cada quatro turistas estrangeiros e obrigou o setor a voltar-se para o mercado interno, faturando apenas 1.450 milhões de euros.