EFELisboa

A percentagem de casas do centro de Lisboa destinadas a aluguer turístico encontra-se já em 41%, o que representa um crescimento de sete pontos em apenas três meses, segundo revela hoje o Jornal de Negócios.

O jornal consegue o cálculo utilizando o registo oficial de casas com aluguer de curta duração, uma categoria na qual se emolduram as casas de alojamento local, e cruzando-o com o último censo de casas disponíveis.

O resultado, publicado hoje, mostra que entre setembro e dezembro a percentagem de apartamentos turísticos no centro passou de 34% a 41%.

Este rápido crescimento explica-se pela nova legislação da Câmara Municipal de Lisboa para limitar o alojamento local, que entrou em vigor no passado 9 de novembro com o objetivo de proibir a partir dessa data e pelo menos durante seis meses novas inscrições de casas destinadas a este uso no centro.

A tese é que muitos proprietários regularizaram a situação antes da entrada em vigor da norma, que pretende evitar que os lisboetas deixem estes bairros históricos.

Segundo registos oficiais, também recolhidos pelo jornal, por cada quilómetro quadrado do centro de Lisboa há aproximadamente 3.000 apartamentos turísticos com capacidade para alojar mais de 15.000 turistas, que se tornaram em paisagem habitual em bairros como Alfama ou Mouraria.

O crescimento deste tipo de alojamento está também unido ao encarecimento contínuo dos alugueres na cidade, que aumentou mais de 20% só este ano, levando a que as casas de apenas um quarto - ao redor de 40 metros quadrados - ultrapassem os 800 euros mensais.

É uma situação que provocou o êxodo de muitos lisboetas à limitada periferia, onde consequentemente o metro quadrado também encareceu, superando atualmente os 1.500 euros, segundo o Instituto Nacional de Estatística.