EFELisboa

O primeiro-ministro português, António Costa, disse esta quarta-feira que o Fundo de Resolução, o organismo público através do qual o Estado luso tem 25% do Novo Banco, poderá exigir a recuperação das ajudas caso a auditoria sobre a entidade detetar erros de gestão.

"Não tenho a menor das dúvidas de que se a auditoria diz que o banco cometeu erros de gestão que injustificavam as injeções, o Fundo de Resolução tem toda a legitimidade de atuar para recuperar o dinheiro", assinalou Costa durante o debate quinzenal no Parlamento.

O Fundo de Resolução, o organismo que realiza as injeções de capital ao Novo Banco, está financiado pelos outros bancos portugueses, mas recebeu empréstimos do Estado para poder enfrentar as ajudas.

Costa mostrou as suas dúvidas de que os outros bancos portugueses "estejam disponíveis para financiar a má gestão do Novo Banco", pelo que o Fundo teria que pedir um reembolso.

"Se depois o dinheiro que o Fundo de Resolução injetou no Novo Banco foi mal injetado e isso vier a ser verificado na auditoria, com certeza que o fundo de resolução terá de retirar daí as necessárias ilações", ressaltou o primeiro-ministro.

O Novo Banco esteve no centro da polémica nas últimas semanas depois de receber uma injeção de capital de 1.035 milhões de euros, 850 de um empréstimo do Estado, antes de que se conhecessem as conclusões de uma auditoria.

Costa chegou a assegurar no Parlamento que a injeção não seria realizada até ter os resultados da auditoria, sem saber que o pagamento já tinha sido executado um dia antes com autorização do Ministério das Finanças.