EFEBruxelas

O primeiro-ministro português, António Costa, e o presidente do Parlamento Europeu (PE), David Sassoli, ressaltaram esta quarta-feira que a União Europeia não contempla um "plano B" face ao bloqueio húngaro e polaco ao pacote orçamental e disseram que continuam a trabalhar para convencer estes dois governos.

"Ainda temos um plano A", afirmou Costa numa conferência de imprensa junto ao presidente do Parlamento Europeu depois de uma reunião de trabalho por videoconferência junto aos líderes dos grupos políticos do PE para preparar o início da presidência portuguesa do Conselho.

Budapeste e Varsóvia recusam aprovar o acordo sobre o pacote de recuperação (1,8 biliões de euros) por estarem contra ao mecanismo que irá permitir suspender fundos a países que não respeitem os princípios do Estado de direito, um instrumento que os países restantes e o Parlamento Europeu rejeitam repensar.

Costa incidiu que "não se pode reabrir" tanto o acordo conseguido pelos países em julho nem os compromissos alcançados depois entre o Conselho e o Parlamento sobre o pacote de recuperação e a condicionalidade no desembolso.

"Podemos trabalhar sobre a base destes acordos, mas não reabri-los. Isto significa que é preciso chegar a um acordo na próxima semana", assinalou Costa.

Sassoli salientou também que espera que o diálogo mantido atualmente pela presidência alemã do Conselho com estes dos países permita chegar a um acordo e alertou que, "se não for o caso, não haverá plano B".

"Teremos que começar desde o ponto de partida, creio que os cidadãos europeus não merecem isso e não o esperam. Obviamente, isto vai colocar em risco a possibilidade da União Europeia e dos países de recuperarem (da pandemia)", acrescentou o presidente do PE.

UM POSSÍVEL PLENÁRIO PARA RATIFICAR PACTO DO BREXIT

Sassoli referiu-se também à fase decisiva em que as negociações sobre o Brexit entraram, com as equipas imersas numa nova ronda em Londres nestes dias, e disse esperar que estas conversações cheguem a "uma conclusão positiva com um acordo".

"Se houver necessidade de uma sessão plenária extraordinária, não seria difícil organizá-la. Podemos certamente agendá-la. O PE está preparado para se reunir em plenário durante o Natal", disse.

Costa, por sua parte, concordou que a conclusão das negociações com o Reino Unido seria fundamental para "ter um Brexit o menos dramático possível".

A próxima sessão plenária do Parlamento Europeu, que é também a última antes do fim do período de transição do Brexit -31 de dezembro- terá lugar de 14 a 17 de dezembro.

AS PRIORIDADES DA PRESIDÊNCIA PORTUGUESA

O socialista Costa, cujo país vai assumir a próxima presidência semestral do Conselho no próximo dia 1 de janeiro, assinalou que as suas prioridades para esses seis meses serão continuar a recuperação económica do clube comunitário depois da pandemia de coronavírus, o desenvolvimento do pilar social e o reforço da autonomia estratégica.

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