EFELisboa

Portugal negoceia com a Polónia e outros membros da União Europeia a distribuição de gás desde o porto de Sines, anunciou hoje o primeiro-ministro português, António Costa, depois de se reunir com o seu homólogo polaco em Varsóvia, paragem antes da sua visita a Kiev.

Costa sublinhou a "urgência" de acelerar a transição energética na Europa e destacou que Portugal "tem condições para contribuir de forma duradoura à autonomia" da UE com a produção de hidrogénio verde e energia solar, entre outras alternativas.

"Precisamos de respostas imediatas, pelo que estamos a discutir com a Polónia e outros governos europeus a possibilidade de utilizar Sines como transshippment (ponto de transbordo) para navios intermediários, de média e pequena dimensão, que poderão operar em zonas do Mar do Norte e do Báltico", disse Costa numa conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro polaco, Mateusz Jakub Morawiecki.

Costa pediu ainda "pragmatismo" a Bruxelas para acelerar o processo de adesão da Ucrânia ao bloco comunitário.

"Os 27 têm que ter a abertura de espírito suficiente para saber encontrar o estatuto especial necessário para a Ucrânia", afirmou. "Concentremo-nos em ser pragmáticos e responder às necessidades efetivas da Ucrânia".

Portugal, recordou, demorou nove anos a completar seu processo de adesão à UE, mas a situação da Ucrânia "pede uma solução imediata".

O chefe do Governo português reiterou que a melhor resposta frente à Rússia é manter a unidade do bloco europeu e reforçar a capacidade defensiva da NATO.

Costa sublinhou também o papel fundamental da Polónia na crise migratória provocada pela guerra de Moscovo contra a Ucrânia e anunciou que Lisboa irá destinar até 50 milhões de euros para o financiamento de programas de ajuda humanitária aos refugiados ucranianos através da Polónia.

"A melhor arma que podemos utilizar para vencer a Rússia é a unidade da UE" e a ajuda aos países que compartilham fronteira com a Ucrânia, defendeu.

Costa iniciou quinta-feira uma viagem que o levou à Roménia e que previsivelmente concluirá hoje com uma breve visita a Kiev.