EFELisboa

O primeiro-ministro de Portugal, o socialista António Costa, pediu hoje que se evite nas eleições legislativas do próximo 6 de outubro um resultado que dificulte a formação de um Governo e se imite assim a situação de "impasse" que se vive em Espanha.

"O que desejamos é que não se repita o que está a acontecer em Espanha", afirmou hoje em Lisboa em resposta a perguntas de jornalistas, que o inquiriram sobre os seus desejos nas eleições de outubro.

Costa parte como claro favorito para vencer e forjar assim um Executivo para a qual seria a sua segunda legislatura, embora as sondagens avisem que não terá maioria absoluta.

O atual primeiro-ministro teria então que pactuar, como já fez em 2015, com a esquerda radical representada pelo marxista Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português, que acordaram então apoia-lo no Parlamento e permitir que governasse em minoria.

A dúvida agora é se a fórmula se vai repetir ou se os parceiros vão melhorar os seus resultados e procurar dar mais um passo para formar um Governo de coligação.

É uma possibilidade que Costa procurou afastar nas últimas semanas, dando Espanha como exemplo, onde a investidura do socialista Pedro Sánchez como presidente do Governo permanece encalhada devido às divergências na fórmula de Executivo com o partido Unidas Podemos, que procura a coligação.

Perguntado pela situação em Madrid e se considera que é possível que lá se consiga no último momento um pacto similar ao português, conhecido como "geringonça", Costa ressaltou que não dá "lições a ninguém", embora confessou estar "satisfeito" que se use a situação portuguesa como um "bom exemplo".

As últimas sondagens divulgadas em Portugal outorgam aos socialistas cerca de 40% dos votos nas eleições de outubro, muito perto da maioria absoluta e a uma considerável distância do segundo partido mais votado, o PSD (centro-direita), com 23% dos votos.