EFELisboa

É o seu quarto ano de vida e a ARCO Lisboa está pronta para sacudir o rótulo de "irmã pequena" da versão espanhola na sua nova edição, que abre hoje ao público, consolidando-se com uma vantagem já complicada de igualar por outras capitais: ter menos metros quadrados.

Se a magnitude costuma ser entendida como prova de relevância do evento, em Portugal a fórmula é a oposta, baseada em criar um clima íntimo e "amável" para colecionadores ao concentrar o excelso em poucos metros quadrados.

A Cordoaria Nacional, uma antiga fábrica naval que acolhe novamente o evento, consiste em dois corredores nos quais convivem, até ao próximo domingo, 71 galerias vindas de 17 países que sabem tirar o máximo partido do minimalismo dos seus espaços expositores.

Assim, a fotografia e pintura monocromática, as lagartixas de um metro de extensão cobertas com agulha de croché rosa ou as obras gráficas que jogam com a profundidade para enganar o olho humano convivem com outras novas sem se amontoar.

Por exemplo, uma peça criada este ano pela reconhecida artista plástica portuguesa Joana Vasconcelos, Yangtze, que se assemelha a um bengaleiro coberto com detalhes e estruturas arredondadas azuis, a estrela do expositor da galeria Horrach Moya, procedente da espanhola Palma de Maiorca.

"Nós vamos aos dois eventos, ARCO Madrid e ARCO Lisboa. Achamos que vir aqui podia ser uma oportunidade estupenda", conta à Efe Patrícia, que trabalha na galeria e recebe os interessados que visitam a Cordoaria Nacional.

Segundo a sua opinião, a versão lusa oferece "vantagens" que são muito prezadas.

"Não é massiva, é mais amável para o colecionador e há uma seleção muito cuidada de galerias", expõe.

Algumas delas são as espanholas Juana de Aizpuru, Leandro Navarro ou Nieves Fernández, ou a francesa Pietro Sparta, de renome no âmbito da arte contemporânea.

Sempre atenta a diversificar a sua oferta, a IV edição da ARCO Lisboa põe este ano o seu foco em África, com uma seção especial na qual há trabalhos de seis centros expositivos de Angola, Moçambique, África do Sul e Uganda.

Deste último país chega a Afriart, que também está presente no programa geral com pinturas nas quais se reflete sobre a política internacional através de flores: margaridas em cujo centro há cérebros coloridos com diferentes bandeiras, como a do Reino Unido, a China ou os Estados Unidos.

"É uma forma de ver a esperança na política. Ir desfolhando a margarida", explica à Efe Daudi Karungi, responsável do expositor da Afriart, onde a obra tem um preço de 4.000 euros.

Junto ao programa geral e o especial dedicado a África, a feira lisboeta repete alguns dos seus espaços que mais curiosidade despertam, como "Opening", dirigida pelo curador João Laia, com 11 galerias jovens, com uma trajetória máxima de sete anos.

Aqui podem ver-se alguns trabalhos de criação recente, como a de "Fran Reus" de Palma de Maiorca e a de "Lehmann + Silva" do Porto.

Também regressa "Projetos", uma área na qual se expõem nove trabalhos de artistas individuais apresentados pelas suas respetivas galerias, entre os quais se encontra um projeto do artista visual espanhol Daniel García Andújar pertencente a "Àngels" de Barcelona.

O desdobramento completa-se com uma seção especial dedicada às publicações de arte contemporânea, organizada pela feira de livros catalã ArtsLibris, que reúne quase 40 editoras, ao redor das quais se vai realizar um ciclo de conferências e debates.

Tudo para deixar o seu próprio selo dentro da marca ARCO, que Portugal sempre viu como uma oportunidade não só de se integrar no circuito internacional de arte contemporânea como de voltar a ser "ponte" entre culturas, como afirmou esta quarta-feira na inauguração oficial o primeiro-ministro, António Costa.

Cynthia de Benito