EFELisboa

O governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, apostou esta segunda-feira por um reforço do multilateralismo entre a Europa e América Latina devido à crise da pandemia de coronavírus, geradora de "assimetrias" que, disse, todos sofrem e que apenas será ultrapassada de forma conjunta.

"Hoje confrontamos uma assimetria que é comum a todas as economias porque está associada às restrições que a pandemia nos impôs. Devemos retomar o processo de convergência e recuperar o multilateralismo", disse Centeno.

O governador do Banco de Portugal -e ex-presidente do Eurogrupo- discursou na primeira "Reunião Ibero-americana de bancos centrais" organizada pelo Banco de Espanha e a Secretaria Geral Ibero-americana (Segib), onde recordou a resposta da União Europeia (UE) à crise.

No âmbito comunitário, disse, foram tomadas ao início da pandemia ações "concertadas" em políticas orçamentais e monetárias que foram para a UE "um desenvolvimento muito esperado e significativo que terá que se manter na fase de recuperação".

"Esta é uma conquista que fará da Europa uma área económica e monetária mais forte e eficaz na sua relação multilateral, desde logo com a América Latina. Nós europeus devemos promover este reposicionamento da Europa", considerou.

Centeno lamentou que o multilateralismo tenha sido "muito questionado em anos anteriores à crise", embora "demonstrou que é a única forma de responder a riscos que são globais".

"Quanto mais agregada for a resposta a uma crise global, será mais simples dar uma resposta a como devemos distribuir os custos da crise no tempo e entre setores", ressaltou, em referência aos futuros desafios para ultrapassar a pandemia de coronavírus.

EMPREGO, TRABALHO E DÍVIDA SOBERANA: CHAVES NA EUROPA

Entre as principais medidas adotadas pela UE face à pandemia, Centeno ressaltou a aprovação por parte do Eurogrupo na primavera de 2020 -quando ainda a presidia- de "três redes de segurança que cobriam áreas de emprego, empresas e dívida soberana".

"Este foi o estímulo e a definição do ponto de partida da resposta na Europa, acompanhada pelo Banco Central Europeu, e que depois se transformou na decisão europeia de criação de um novo programa de políticas comuns", explicou.

Uma "resposta muito solidária", disse, que "derrubou velhos muros de desconfiança na Europa e foi conseguida em tempo recorde".

"Penso que é muito importante que esta dimensão de solidariedade seja mantida e que se estenda a outras regiões", acrescentou.

Centeno falou também da política monetária, um campo em que se reagiu "de forma eficaz em linha com o seu mandato de manutenção de preços, procurando assegurar o fluxo de crédito à economia e condições de financiamento favoráveis e evitar a fragmentação dos mercados financeiros da Zona Euro".