EFELisboa

O Banco de Portugal (BdP) prevê que a economia portuguesa entre em recessão este ano, com um retrocesso que poderá ir de 3,7% no cenário mais moderado a 5,7% no mais adverso, devido aos estragos causados pela COVID-19.

No relatório económico de março, divulgado esta quinta-feira, o BdP assinala que os dois cenários representam "reduções significativas" frente às previsões anteriores, nas quais estimava um crescimento do produto interior bruto (PIB) de 1,7% este ano e de 1,6% em 2021.

Agora, no cenário mais moderado, espera que o PIB retroceda 3,7% este ano, embora o crescimento económico se recuperaria nos seguintes, com avanços de 0,7% em 2021 e de 3,1% em 2022.

A taxa de inflação ficará no 0,2% em 2020, 0,7% em 2021 e subirá até 1,1% em 2022.

Por último, a taxa de emprego, que fechou 2019 em 6,5%, vai crescer até 10,1% este ano e moderar nos seguintes (9,5% em 2021 e 8% em 2022).

No cenário mais adverso, a caída do PIB vai chegar ao 5,7% este ano, mas a recuperação nos seguintes será maior: vai avançar 1,4% em 2021 e 3,4% em 2022.

A inflação neste cenário será negativa em 2020 (-0,1%), mas voltará a valores positivos em 2021 (0,5%) e em 2022 (0,7%).

Por último, a taxa de desemprego aumentará nesse ano até 11,7% e reduzir nos seguintes, a 10,7% em 2021 e a 8,3% em 2022.

"As perspetivas para a economia portuguesa deterioraram-se abrupta e significativamente pelo impacto da pandemia COVID-19. A pandemia corresponde a um choque económico adverso com efeitos muito significativos e potencialmente prolongados no tempo em termos de bem-estar dos cidadãos e da atividade das empresas", assinalou o supervisor bancário português.