EFELisboa

A jornalista portuguesa Catarina Canelas, Prémio Rei de Espanha Ambiental pela sua reportagem "Plástico: o novo continente", considerou hoje que o galardão é uma prova de que os temas ambientais também funcionam em "prime time" e conseguem atrair o interesse do grande público.

"É a prova de que desde o primeiro momento tinha razão em querer colocar este assunto no prime time da televisão", disse à EFE depois de conhecer a notícia, e mostrou-se "muito honrada" que um júri "muito exigente" tivesse escolhido o seu trabalho por unanimidade.

"Plástico: o novo continente" é uma série de sete reportagens, cada uma com cerca de 15 minutos, sobre o impacto do plástico nos oceanos, nos animais e na vida humana que foram transmitidas na TVI em agosto de 2020.

A jornalista explicou que entre as transmissões dos telejornais das 13h e das 20h e o prime time, o trabalho atingiu uma audiência de mais de 10 milhões de espectadores, o que mostra "a importância do jornalismo ambiental".

"Ao contrário do que muitos pensam, não há temas tabu ou tópicos 'pop' para os grandes horários com grande audiência na televisão. Desde que as histórias estejam bem contadas, são vencedoras. E penso que este assunto foi muito bem contado", considerou.

Canelas salientou também a necessidade de mostrar às pessoas a realidade das alterações climáticas e problemas como a poluição dos plásticos, mesmo que as imagens sejam "impactantes".

"Não podemos camuflar a realidade, tinha que a mostrar às pessoas. Só assim conseguimos, sobretudo em jornalismo de causas como o ambiente, a que as pessoas reajam e mudem os seus comportamentos", defendeu.

A reportagem foi filmada durante vários meses em quatro continentes, com paragens em Portugal, Noruega, Áustria, Bélgica, República Dominicana, Maldivas e Cabo Verde.

A portuguesa considera que o ambiente, como outras questões, foi de certa forma esquecido devido à pandemia e acredita que este é o momento de "atuar".

"É um relógio em andamento e estamos na linha vermelha, temos muito pouco tempo para passar à ação. O momento de atuar é agora. Temos que nos esforçar para nos centrar nestes assuntos, porque envolvem-nos a todos e não podemos fingir que não estão a acontecer", disse.

O trabalho também envolveu o repórter de imagem João Franco e foi editado por Nélson Costa e Teresa Almeida.

As reportagens incluem as opiniões de peritos, investigadores, cientistas e organizações de conservação e ambientais que trabalham na luta contra o plástico.

O Jornalismo Ambiental e o Desenvolvimento Sustentável é um dos prémios que destacados profissionais do jornalismo internacional decidiram hoje, na XXXVIII edição dos Prémios Internacionais de Jornalismo do Rei de Espanha, aos quais concorreram 155 candidatos de vinte países do âmbito ibero-americano.