EFELisboa

Reforçado pelo apoio conseguido nas recentes eleições presidenciais portuguesas, André Ventura, líder do Chega, aposta por uma aliança com Santiago Abascal (do partido espanhol Vox) e com a extrema-direita europeia para ganhar influência nos órgãos de decisão da UE.

"O Chega e o Vox não defendem o fim da União Europeia nem a saída da UE, querem uma Europa diferente, uma Europa com a matriz da civilização e cultura da UE, pelo que vai ser preciso um grupo forte", disse Ventura num encontro virtual com correspondentes estrangeiros em Lisboa.

Além da sua sintonia pessoal com Abascal, o português ressaltou as semelhanças do Chega e Vox com outros partidos da extrema-direita europeia, como a Frente Nacional de Marine Le Pen em França ou a Liga de Matteo Salvini em Itália.

"Temos tudo para conseguir uma aliança conjunta", salientou Ventura, que subiu posições na política local depois de ter ficado em terceiro nas presidenciais de janeiro, vencidas por Marcelo Rebelo de Sousa.

"O Chega e Vox podem ajudar nisto, conseguir esta transformação, não só do Parlamento Europeu mas também da Comissão Europeia e dos órgãos europeus mais importantes", afirmou.

Apesar dos seus pontos em comum, Chega e Vox têm uma importante diferença: pertencem a organizações diferentes na Europa. O Vox está na Aliança de Conservadores e Reformistas Europeus, enquanto o Chega está no Identidade e Democracia (ID).

"Creio que o Chega está no lado correto da história. O Vox está num grupo conservador que, com a saída do Reino Unido da UE, ficou muito debilitado. Estaria melhor no ID", considerou.

"A ver se o Chega não consegue até convencer o Vox em breve para ter um grupo mais forte no parlamento europeu", aventurou.

Admirador, entre outros, do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, André Ventura reconhece as coincidências históricas, culturais e económicas entre Espanha e Portugal, mas rejeita as tendências "iberistas".

"Não tem nenhum sentido porque fazemos parte de uma união mais vasta", defendeu.

Ventura atraiu a atenção da imprensa local nos últimos meses com repetidas polémicas, como as suas críticas contra a comunidade cigana ou atos políticos sem medidas de segurança em plena pandemia.