EFELisboa

Cientistas do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), no norte de Portugal, trabalham a contrarrelógio no desenho de um teste europeu de deteção rápida do COVID-19 que, através de inteligência artificial, pode prever a gravidade que o vírus irá alcançar nos doentes.

Em apenas uma semana, os especialistas do INL -300 investigadores de 40 nacionalidades- elaboraram um projeto no qual participam centros de investigação e empresas tecnológicas de Espanha, Portugal, Dinamarca, Grécia e Alemanha.

O objetivo é conseguir o sinal verde da Comissão Europeia, que lançou uma convocatória urgente, que finaliza no próximo 31 de março, para receber projetos de investigação capazes de ajudar a mitigar o avanço da doença.

O desafio, explica à Efe a espanhola Marta Prado, diretora de um grupo de investigação no INL, é criar um kit de detenção rápida para usar fora de um laboratório, eficaz frente a possíveis mutações do COVID-19 e preparado para diagnosticar o impacto personalizado do vírus nos pacientes.

Se agora a maioria destes equipamentos só podem ser utilizados por profissionais e laboratórios especializados, "os kits que pretendemos desenvolver poderão ser usados de forma autónoma e não precisariam de pessoas com treino", explica Lorena Diéguez, coordenadora do núcleo de saúde do INL, um centro financiado com fundos europeus, privados e recursos públicos de Espanha e Portugal.

O projeto põe à prova a ciência europeia: uma empresa alemã vai desenhar um cartucho descartável que, como um chip, reúne a informação personalizada do vírus em cada utilizador.

Os dados serão analisados por um software criado por um centro de investigação grego que, através de algoritmos de inteligência artificial, irá determinar o grau do impacto da doença no paciente.

O Instituto de Saúde Carlos III de Madrid vai validar a sua eficácia através de testes em pacientes.

A iniciativa envolve também a Universidade Técnica da Dinamarca e o Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa.

O desafio é duplo, porque à urgência do problema se junta o facto da maioria dos investidores ligados ao INL de Braga (norte de Portugal) trabalham no projeto desde as suas casas, continua Marta Prado.

Mas, diz Prado, "é o momento da ciência marcar um golo".

Pandemias como a provocada pela COVID-19 demonstram "que é necessário investir na ciência", ressalta o INL, um modelo de cooperação científica que conta com um orçamento anual de 20 milhões de euros.