EFELisboa

Os fundos de investimento olham para a economia azul, pelo que a Conferência de Lisboa é uma oportunidade para novos projetos, segundo o ministro português dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, que, numa entrevista à Agência Efe, disse estar otimista quanto a progressos na convergência global sobre o futuro dos mares.

Para além de Governos, organizações internacionais e sociedade civil, cerca de 500 empresas com fundos para financiar projetos de economia azul vão participar na II Conferência dos Oceanos das Nações Unidas.

"Há mais dinheiro disponível para financiar projetos do que projetos sustentáveis de economia azul", diz o ministro.

"Os grandes fundos internacionais já identificaram a economia azul como uma área de grande interesse para o futuro e acreditamos que alguns projetos que poderão ser financiados vão surgir em Lisboa", prevê.

O ministro espera da "maior conferência jamais realizada sobre os oceanos, e a mais importante", que o futuro dos mares se consolide como um tema na agenda da gestão global.

O objetivo é promover "uma convergência global nos oceanos", porque "a saúde dos oceanos é vital para a saúde do planeta, e sem a saúde do planeta, a espécie humana não sobrevive. É tão simples como isso", resume.

E adverte que não há tempo a perder: "Demoramos 23 anos, desde a cimeira da Terra de 1992 até ao tratado de Paris em 2015. Em relação aos oceanos, não temos este tempo disponível".

 DECLARAÇÃO DE LISBOA

O de Lisboa não é um evento organizado para quantificar compromissos, mas "estão criadas as condições" para avançar na inclusão do tema nas agendas políticas globais.

O documento final, a Declaração de Lisboa, "foi negociado ao longo de dois anos", embora não seja vinculativo e não estabeleça objetivos quantificados.

"A Conferência de Lisboa não vai tratar sobre vírgulas ou paráfrases, mas vai-nos permitir discutir as principais questões políticas, biodiversidade e proteção das áreas marinhas, diversidade no alto mar, a nova economia azul, as questões de segurança nos mares", salienta o ministro.

"Há um vasto leque de temas a discutir, e penso que se olharmos para trás dentro de algumas décadas e virmos que algumas coisas foram feitas para proteger os mares, iremos considerar que Lisboa foi importante neste processo".

RÚSSIA

A participação da Rússia -Moscovo enviará a Lisboa o representante especial do presidente Vladimir Putin para assuntos climáticos- causou agitação, embora o ministro português diga não ter recebido queixas dos participantes do fórum.

"Nenhum país nos contactou. É normal porque estas são regras das Nações Unidas, a Rússia é um membro das Nações Unidas".

"No que diz respeito a sermos anfitriões, respeitamos as regras da ONU", mas "no que diz respeito a nós, são as nossas regras que se aplicam".

"Vou ser anfitrião de uma receção para os chefes de delegação de todas as missões, mas não convidamos a Rússia. É uma cortesia nacional e não somos obrigados a seguir as regras da ONU", afirma.

Pode haver conflito durante as sessões devido à presença da Rússia e da Ucrânia? O ministro descarta. Delegações de ambos países estiveram presentes numa recente reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Genebra, recorda.

"Não houve conflito, houve um manifestar de desagrado de forma diplomática e correta que todos saberão interpretar".

Delegações de 140 países, mais de 20 chefes de Estado e de Governo, organizações internacionais, empresas privadas e sociedade civil vão participar na Conferência dos Oceanos, que começa em Lisboa na segunda-feira e termina a 1 de julho.

Inscreveram-se ao todo mais de 7.000 pessoas para assistir às sessões que serão realizadas na Altice Arena do lisboeta Parque das Nações, nas margens do Tejo, cercada por um forte dispositivo de segurança, com mais de 1.600 agentes.

Por Mar Marín