EFELisboa

O conflito nos aeroportos portugueses, que este fim de semana levou a uma greve que causou o cancelamento de mais de 650 voos, intensificou-se esta terça-feira com a notícia de que a principal empresa de assistência em terra do país deve 13 milhões de euros ao gestor aeroportuário e pode perder licenças.

Os desacordos envolvem a Groundforce, uma empresa de assistência em terra ("handling") com mais de 70% do mercado português e numa situação financeira grave na sequência da queda do tráfego aéreo devido à pandemia de covid-19.

A sua crise provocou atrasos no pagamento dos salários dos trabalhadores, o que este fim-de-semana levou a uma greve que resultou no cancelamento de mais de 650 voos, a grande maioria dos quais com partida ou chegada prevista para o aeroporto de Lisboa.

Não é a única parte que reivindica pagamentos. Esta terça-feira, o gestor aeroportuário português Aeroportos de Portugal (ANA) anunciou que a Groundforce lhe deve 13 milhões de euros em taxas de ocupação e que irá considerar a revogação das suas licenças.

"Devido ao não pagamento desde março de 2020, e depois de ter esgotado todas as vias para receber os valores devidos em todos os aeroportos da rede ANA, superiores a 13 milhões de euros, a ANA vê-se obrigada a tomar as medidas legalmente previstas, com vista a regularizar a situação", disse a ANA num comunicado divulgado pela imprensa portuguesa.

Em cima da mesa está a revogação das licenças da Groundforce, algo que já está a ser estudado no caso dos aeroportos de Faro (Algarve, sul) e Funchal, no arquipélago da Madeira.

A ANA indicou que o processo já foi iniciado com o envio de documentos à Groundforce, que aguarda agora uma resposta.

A Groundforce serve os aeroportos de Lisboa, Porto, Faro, Funchal e Porto Santo, estes dois últimos na Madeira.

O seu capital está dividido entre a Pasogal, que detém 50,1%, e a companhia aérea TAP -sob controlo do Estado- que detém 49,9 %.

O sindicato dos Técnicos de Handling de Aeroportos, que convocou a greve deste fim de semana, já avisou que se não houver progressos nos próximos dias para resolver a sua situação, os trabalhadores entrarão novamente em greve no fim de semana de 31 de julho e 1 de agosto até segunda-feira, 2 de agosto.

O conflito nos aeroportos portugueses surge no meio de um complicado verão para o setor turístico do país, que volta a sofrer escassez de turistas com a pandemia, e teme que eventuais problemas nas chegadas a Portugal possam agravar as perspetivas.

Neste sentido, o presidente do país, Marcelo Rebelo de Sousa, disse aos jornalistas que estava preocupado com a "obstinação que tem havido da parte da Groundforce".

"Estão a prejudicar o país", acrescentou.