EFELisboa

O futuro aeroporto do Montijo, que vai complementar o actual -e saturado- aeroporto de Lisboa, foi apoiado pelas autoridades ambientais do país num último e decisivo passo, pelo que se irá tornar realidade, apesar dos protestos das organizações ambientalistas.

A luz verde definitiva vem da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que emitiu uma Declaração de Impacto favorável para que a base aérea do Montijo, localizada a cerca de 30 quilómetros da capital portuguesa, se converta num aeródromo civil.

O documento ratifica um parecer que a própria APA emitiu no passado outubro, no qual se avançava que o projeto se tornaria realidade mas com a condição de que fossem investidos 48 milhões de euros em medidas de compensação ambiental.

Preocupavam então três aspetos: as aves e o seu habitat, o ruído e a mobilidade, questões que as organizações ambientalistas avançavam para se oporem ao novo aeroporto, bem como a poluição que este iria acrescentar a Lisboa.

Na sua declaração definitiva, a APA mantém esta exigência de investir 48 milhões de euros, que servirá sobretudo para mitigar os impactos no habitat das aves, por exemplo através de um plano de aquisição de mais de 1.400 hectares de salinas próximas e convertê-las num refúgio para estes animais.

Além disso, proíbe o tráfego aéreo entre a meia-noite e as 6:00 da manhã a fim de reduzir o ruído, uma das principais preocupações dos que vivem na área.

A aprovação definitiva do aeroporto do Montijo não surpreendeu o Governo nem as organizações ambientalistas contrárias ao mesmo, que anunciaram que vão recorrer "aos tribunais e à Comissão Europeia para travar o projeto".

Esse caminho será tomado por até oito associações ambientalistas de modo a poderem defender a sua postura, que se fundamenta, segundo explicaram esta quarta-feira em comunicado, nas "insuficiências graves" dos estudos ambientais realizados até agora, entre outras questões.

Não há data marcada para a remodelação do Montijo, cuja chegada irá aliviar o sobrelotado aeroporto de Lisboa, que está actualmente com obras de expansão das suas infraestruturas que irão durar pelo menos até junho.