EFELisboa

O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, e de Itália, Giuseppe Conte, avisaram esta terça-feira que as últimas previsões económicas da Comissão Europeia, piores do que as suas estimativas anteriores, são um alerta sobre a urgência de se chegar a um acordo sobre o plano de recuperação.

Os dois chefes de governo reuniram-se em Lisboa para preparar a cimeira dos líderes europeus a realizar em Bruxelas na próxima semana e compareceram perante a imprensa com uma mensagem comum: que é necessário sair dessa reunião com um acordo fechado a fim de recuperar da crise e que este não se afaste da proposta da CE.

As previsões divulgadas esta terça pela CE, que preveem uma queda de 8,7% do PIB da Zona Euro em 2020 -7,7% na estimativa anterior- "tornam mais urgente do que nunca a aprovação de um programa de recuperação económica e social", disse Costa.

Como tal, espera que sirvam de "alerta muito sério" para o resto dos líderes europeus e que sejam "conscientes" de que "só se pode sair de Bruxelas com um acordo concluído e que seja o mais próximo possível da proposta da CE, que é inteligente, justa e equilibrada".

"Não temos tempo, temos que ter a coragem de decidir imediatamente", concordou Conte, que rejeitou planos "discretos" e defendeu que deve ser uma resposta política "forte e ambiciosa". "Esta é a linha vermelha", disse.

Costa e Conte também advertiram que se o acordo se atrasar mais, a situação poderá deteriorar-se e será necessária uma resposta económica inclusivamente maior.

"Se não for feito a tempo, as consequências serão mais graves e os mesmos recursos financeiros poderão já não ser adequados", disse o italiano.

O primeiro-ministro italiano salientou ainda que esta é uma crise global que afetará toda a Europa. "Não haverá nem vencedores nem vencidos. Não haverá vencedores isolados ou perdedores isolados. Venceremos ou perderemos todos juntos", garantiu.

"Não devemos convencer ninguém de que Portugal, Itália ou Espanha devem ter ajuda, devemos convencê-los de que é necessário reagir porque esta crise sem precedentes vai destruir o mercado único. Se alguns países tiverem mais dificuldade em recuperar, todos os outros vão sentir os efeitos", disse Conte.

Uma mensagem reforçada por Costa, que repetiu que "ninguém vai conseguir sair desta crise sozinho", voltando a defender a proposta da CE, como tinha feito na véspera depois de se encontrar com o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez.

"É um esforço de compromisso muito grande entre todos nós", disse o líder português, e "um bom equilíbrio ter um programa para responder à crise mas também para ultrapassar o bloqueio que existia no quadro financeiro plurianual".

A proposta da CE prevê um fundo de recuperação de 750.000 milhões de euros, 500.000 milhões dos quais seriam canalizados sob a forma de subvenções a fundo perdido e os restantes 250.000 milhões em empréstimos.

Este fundo, bem como um orçamento plurianual de 1,1 biliões de euros, serão discutidos pelos chefes de Estado e de Governo na próxima cimeira europeia, que terá lugar em Bruxelas nos dias 17 e 18 de julho.