EFELisboa

A economia portuguesa não vai escapar à desaceleração prevista ao nível mundial, confirmou hoje o Banco de Portugal (BdP), que estima que o PIB luso avançará 2% no final de 2019, abaixo das percentagens dos últimos anos.

Esta estimativa, recolhida no Boletim Estatístico de outubro, que ultrapassa a meta estabelecida pelo Governo socialista de António Costa (1,9%), fica abaixo do crescimento de 2018 (2,4%) e de 2017 (3,5%).

O supervisor luso aponta que a desaceleração económica de Portugal refletirá as menores exportações, num contexto de "crescimento mais frágil do comércio mundial e da procura externa dirigida à economia portuguesa".

Concretamente, as exportações irão avançar 2,3% este ano, abaixo do 3,8% do anterior, e o crescimento da procura externa passará de 3,2% a 1,8%.

Como fatores que poderão contribuir para a desaceleração, o BdP destaca o "arrefecimento" dos principais mercados de exportação, a intensificação das tendências protecionistas, a saída do Reino Unido da UE e um agravamento das tensões geopolíticas.

Quem também divulgou hoje as suas estimativas foi o Conselho de Finanças Públicas -órgão estatal que avalia a política orçamental-, em linha com os números do banco central luso, pois espera que a economia cresça 1,9% este ano.

O Conselho, que oferece previsões para os anos seguintes, projeta que a desaceleração vai continuar: o PIB português irá crescer 1,7% em 2020 e 2021, 1,6% em 2022 e 1,5% em 2023.

Horas antes da divulgação das previsões do BdP e do Conselho, o Instituto Nacional de Estatística (INE) publicou os dados de comércio internacional de agosto, que refletiam não só uma desaceleração como um retrocesso das exportações e importações.

As vendas de bens portugueses desceram 3,8% a respeito de agosto do ano passado, devido sobretudo à queda dos lubrificantes e combustíveis (-43%).

O mesmo aconteceu com as importações, que caíram 4%, com uma queda de 4% da compra de combustíveis.