EFELisboa

Os enfermeiros portugueses enfrentam hoje o segundo dos seus cinco dias de greve com uma adesão de 86% em todo o país, segundo os dados oferecidos à Efe pelo Sindicato dos Enfermeiros (SE).

O presidente do SE, José de Azevedo, explicou que as consultas e os procedimentos programados, entre os quais as cirurgias, são os serviços mais afetados por esta greve, que garante a assistência de enfermeiros nas urgências nos hospitais e cuidados intensivos.

Como já ocorreu esta segunda-feira, centenas de enfermeiros protestam como parte desta greve à porta de vários hospitais em cidades como Lisboa, Coimbra ou Braga.

As suas principais reivindicações são a reposição do horário de trabalho de 35 horas semanais, bem como uma atualização progressiva dos salários, questão que propiciou a convocatória da greve.

Segundo dados recolhidos hoje pelo jornal português Diário de Notícias, o salário anual bruto de um enfermeiro em Portugal é algo superior aos 16.000 euros, quantidade muito inferior à de outros colegas europeus, assegura a publicação, o que levou a uma grande emigração neste setor.

De fato, calcula-se que desde 2010 mais de 14.000 destes profissionais saíram do país, principalmente para o Reino Unido, onde se estima que um enfermeiro pode receber um salário anual bruto de quase 29.000 euros.

A convocatória de greve foi considerada irregular pela Secretaria de Estado de Emprego e a Administração Central do Sistema de Saúde publicou um memo a avisar que as ausências de enfermeiros durante esta greve serão tratadas pelo departamento de recursos humanos.

Os hospitais já foram alertados na semana passada de "eventuais ausências de enfermeiros" durante o período da greve.