EFEMadrid

Os ministros de Defesa de Espanha, Margarita Robles, e Portugal, João Gomes Cravinho, querem reforçar a participação das pequenas e médias empresas de ambos países nos projetos de interesse militar financiados pela União Europeia (UE).

Robles e o seu homólogo português, que se reuniram esta segunda-feira em Madrid, mostraram o trabalho conjunto que querem fazer no campo da defesa, além da sua aposta pela multilateralidade e por manter a força da UE na NATO.

Em conferência de imprensa conjunta, ambos apostaram por promover a participação das PMEs, parte fundamental do tecido económico dos dois países, nos projetos da Cooperação Estruturada Permanente (PESCO), criada em 2017 para permitir aos Estados da UE colaborar mais estreitamente no âmbito da segurança e da defesa.

"Colocamos sobre a mesa a existência de canais de cooperação" para que as PMEs de ambas nações beneficiem destes fundos da PESCO, explicou a ministra espanhola, já que estas empresas estão "bem mais limitadas porque têm menos projeção".

Ambos ministros também coincidiram na sua "aposta muito clara pelo multilateralismo na UE e na NATO" no âmbito das missões internacionais, embora com algumas diferenças.

O ministro português mostrou-se mais aberto a colaborar com França na sua operação Tacuba no Mali contra o terrorismo ou numa possível nova missão de vigilância marítima no estreito de Ormuz (Golfo Pérsico).

Robles, por sua vez, recusou participar em Ormuz e apostou pela segurança no Índico com a operação Atalanta e no Mediterrâneo com Sofia (localizada em Itália), e também não foi partidária de ajudar por agora França no Mali de forma bilateral.

Gomes recordou que Espanha e Portugal trabalham juntos nas missões no Mali, Iraque e na operação Atalanta.

"O mundo que olhamos é o mesmo (...), temos as mesmas preocupações, inclinações e vontade de trabalhar juntos nos marcos multilaterais da UE, NATO e ONU", acrescentou.

Ambos países querem além disso "reforçar a identidade europeia de defesa" como uma "forma de reforçar o pilar europeu da NATO", explicou o ministro português.

Neste sentido, Robles destacou que a mensagem de ambos é que "a UE não está contra a NATO, em detrimento dela". "A UE junta-se à NATO, que ninguém tenha a tentação de dizer: mais UE e menos NATO", ressaltou.