EFELisboa

O projeto Life Invasaqua, que procura consciencializar sobre os problemas que as espécies invasoras causam em rios e barragens de Espanha e Portugal, foi hoje apresentado em Lisboa, onde fecha uma promoção que dará lugar ao início dos trabalhos desta peculiar iniciativa.

A faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa foi o palco para que a aposta se tenha dado a conhecer apoiada em números chave, como por exemplo os 12.000 milhões de euros em prejuízos que as espécies invasoras causam anualmente à União Europeia, sem contar com o dano à biodiversidade.

É, portanto, um problema grave que durante a manhã foi aprofundado por vários especialistas frente a um auditório de quase uma centena de pessoas, às quais se ressaltou a necessidade de que Espanha e Portugal colaborassem para combater estas espécies, já que compartilham rios e barragens e, como tal, "problemáticas".

Foi sobre este segundo aspecto que as mensagens chave das apresentações incidiram mais, advertindo-se que as espécies invasoras são "a segunda maior ameaça à biodiversidade".

A magnitude da frase ganha mais sentido caso se leva em conta que no conjunto do território ibérico há já cerca de 200 destas espécies, entre fauna e flora, com impactos que se contam em milhões de euros.

E a situação agrava-se periodicamente. No caso de Portugal, das 65 espécies contabilizadas nos rios nacionais, apenas 45 são "nativas", número que costuma crescer a cada dois anos.

O Life Invasaqua "nasce para resolver a falta de informação sobre esta problemática", explicou em Lisboa o coordenador do projeto, Francisco José Oliva.

A "consciencialização" foi a palavra mais repetida pelos responsáveis da apresentação, que lembraram que existem normas para combater este fenómeno, e que o problema principal é a falta de compreensão total sobre os riscos que as espécies invasoras trazem.

Por exemplo, e de novo no caso português, a "lagosta vermelha", uma espécie procedente da América do Norte -de onde chega a maioria, além de outros cantos da Europa- que destrói o arroz, causando com isso "milhões de euros em prejuízos" para o país.

A campanha do Life Invasaqua vai contar estes detalhes através de congressos, documentários e exposições itinerantes, entre outros, durante os próximos cinco anos a um público muito variado, desde pescadores a desportistas.

Procura-se sensibilizar para promover a formação dos setores implicados e criar um sistema eficaz de detecção precoce e resposta rápida às espécies exóticas invasoras, analisando todas as vias de entrada.

O Life Invasaqua, financiado com mais de três milhões de euros pelo programa Life da União Europeia e coordenado pela Universidade de Murcia, conta em Portugal com a participação da Universidade de Évora e a Associação Portuguesa de Educação Ambiental (Aspea).

Participam também a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), o Museu Nacional de Ciências Naturais (MNCN), a Sociedade Ibérica de Ictiologia (Sibic), e a Agência Efe, que irão desenvolver ao longo de cinco anos ações de comunicação e formação sobre as espécies invasoras aquáticas.

Uma dessas ações é o desenvolvimento do site www.lifeinvasaqua.com para ampliar a formação no âmbito das espécies invasoras do meio aquático, ajudar na sua gestão e mitigação e como ferramenta de educação e sensibilização.

O projeto foi apresentado oficialmente em Espanha no passado 27 de março, e a divulgação de Lisboa realizada hoje representa o passo seguinte para completar essa promoção necessária antes de começar a andar com o apoio de todas as organizações envolvidas.