EFELisboa

A Eurorregião Galiza-Norte de Portugal pediu esta segunda-feira que não seja exigido a apresentação de um teste negativo de covid-19 para entrar em Portugal por via terrestre aos trabalhadores transfronteiriços que cruzam a Raia (fronteira) diariamente.

O Governo português decretou que a partir de 1 de dezembro será necessário apresentar um teste negativo, inclusivamente aos vacinados, para entrar no país por via aérea, marítima ou terrestre, mas não especificou se isto afeta também os transfronteiriços, limitando-se a dizer que faria as "necessárias adaptações" à medida.

Essas adaptações ainda não foram divulgadas.

"Pedimos que uma das adaptações a esta exigência feita a todos os que cruzem a fronteira seja a exceção dos trabalhadores transfronteiriços", defendeu em declarações à Agência EFE o vice-diretor do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial da Eurorregião Galiza-Norte de Portugal, Xosé Lago.

Lago, que recorda que nesta eurorregião estão identificados mais de 12.000 trabalhadores transfronteiriços, lamentou terem que enfrentar "muitos mais obstáculos e restrições ao cruzar a fronteira".

A medida, disse, terá custos económicos, para pagar os testes, e de tempo, já que os trabalhadores terão que se deslocar para fazer o teste e previsivelmente se formarão "filas" nos controlos fronteiriços.

Por isso, defendem que as pessoas que têm o seu local de trabalho no outro lado da Raia não tenham que passar pelos controlos ou, no pior dos casos, que se facilite um sistema para que não tenham que se submeter aos testes com tanta frequência e que estes sejam gratuitos.

Os trabalhadores transfronteiriços luso-espanhóis já sofreram com restrições durante a pandemia, com os dois fechos fronteiriços decretados entre 17 de março e 30 de junho de 2020, e a 31 de janeiro e 30 de abril de 2021.

Nestes períodos só permaneceram abertos cerca de uma dezena de passagens fronteiriças e, apesar destes trabalhadores transfronteiriços terem recebido autorização para cruzar, as filas para passar pelos controlos eram habituais.

"É uma pena que uma medida que poderíamos considerar excepcional, como é o fecho de fronteiras, esteja infelizmente a caminho de se tornar numa solução não pouco habitual para tentar abrandar ou parar os contágios", lamentam desde a Eurorregião.

A fronteira entre a região espanhola da Galiza e o norte português é a mais transitada de toda a Raia, e a passagem de Tui acumula aproximadamente um quarto de todo o tráfego luso-espanhol.

Portugal exige a partir deste 1 de dezembro um teste negativo a todos os que cheguem ao país, seja pelos aeroportos, estrada ou via marítima.

Ainda assim, a Comissão Europeia advertiu-lhe hoje que é conveniente continuar com as mesmas regras para toda a UE, onde não se pedem medidas extra para cruzar as fronteiras internas aos cidadãos com certificados de vacinação.