EFELisboa

A história arquitetónica do teatro romano de Mérida protagoniza a exposição "Theatrum Mundi" inaugurada esta segunda-feira em Lisboa, que procura aproximar o público português do principal monumento emeritense e do Festival de Teatro Clássico que acolhe anualmente.

A exposição, aberta ao público no Museu de Lisboa - Teatro Romano até 31 de agosto, é o resultado de sete anos de trabalho de uma equipa dirigida pelos arquitetos Jesús Martínez Vergel e Rafael Mesa Hurtado, que participaram nas últimas restaurações às quais o monumento foi submetido.

Através de planos históricos, projetos e fotografias inéditas do teatro, o público vai poder conhecer os mais de 2000 anos de história deste monumento numa exposição que faz parte da Mostra Espanha, um programa de atividades que leva a cultura espanhola a diferentes localidades de Portugal.

A exposição é além disso mais um passo na colaboração que o Festival Internacional de Teatro Clássico de Mérida estabeleceu com Portugal há três anos e que o evento pretende manter.

"Temos muito claro que essa relação tem que continuar. Este é o terceiro ano que apresentámos a programação do Festival de Mérida aqui em Lisboa e com esta exposição o que estamos a fazer é unir", disse à EFE o diretor do certame, Jesús Cimarro.

Cimarro, que lembrou que no ano passado já representaram uma peça em português no Templo de Diana, afirmou que se trata do início "de uma colaboração muito mais ampla e muito mais extensa".

"O meu objetivo é que se possa preparar uma coprodução teatral para apresentá-la no Teatro Romano de Mérida", avançou o diretor, que convida companhias portuguesas a que lhe proponham projetos de parceria.

Na inauguração também esteve presente a conselheira de Cultura, Turismo e Desporto da Junta da Extremadura, Nuria Flores Redondo, que destacou a relação da região com Portugal, um dos "fatos diferenciais" dos extremenhos.

"Há 2000 anos Mérida e Lisboa pertenciam à mesma província romana, Lusitânia. 2000 anos depois, Augusta Emérita e Olissipo voltam a estar unidas pela cultura", assinalou Flores Redondo, que sublinhou a "vocação fronteiriça" da Extremadura.

Para a conselheira, "Portugal é uma magnífica vitrina para a cultura extremenha", daí que se tenha querido levar a terras lusas um "símbolo" tão importante de Mérida como o seu teatro romano.

Após a inauguração, um dos arquitetos responsáveis pela exposição, Jesús Martínez Vergel, ofereceu aos presentes uma visita guiada à mesma.

O arquiteto explicou que o título, "Theatrum Mundi", faz referência à dupla condição do monumento como arquétipo de teatro romano e ao tópico literário que entende a realidade como um palco onde todos somos atores a representar diferentes papéis.