EFELisboa

Várias figuras relevantes da direita portuguesa debatem hoje e amanhã em Lisboa o futuro político do país num evento polémico pela natureza do seu organizador, um novo "movimento" que diz ser apolítico e cujas intenções geraram suspeita.

O evento foi organizado pelo Movimento Europa e Liberdade (MEL), definido pelos seus responsáveis como uma "plataforma cidadã" apolítica, não partidária, e que diz pretender unicamente melhorar a política para combater os populismos.

No entanto, no seu programa, que conta com quase 40 oradores, há uma clara maioria de nomes vinculados à direita portuguesa, como Pedro Santana Lopes, que lutou pela liderança do PSD, de centro-direita, e após fracassar fundou um novo partido, ou Assunção Cristas, líder do CDS, o partido mais à direita do Parlamento.

Esta circunstância gerou suspeitas nos meios de comunicação e também entre muitos políticos sobre as intenções do evento, ao qual rejeitaram assistir, como é o caso do próprio líder do PSD, Rui Rio, embora os responsáveis do MEL neguem qualquer inclinação partidária.

"Esta é uma plataforma cidadã. Não é um movimento partidário, combatemos os sistemas populistas que estão contra o sistema político, queremos que o sistema político melhore", defendeu à Efe um dos organizadores do MEL, Paulo Carmona.

Carmona comentou que a ausência de Rio e outros membros do governante Partido Socialista que também foram convidados "é uma prova da necessidade que o sistema político tem de controlar todas estas coisas".

Neste sentido, incidiu que o MEL está composto por "profissionais, intelectuais que trabalham em consultoras, empresas, e que sentem a necessidade e inquietação de ver o que se pode fazer para melhorar o sistema".

A plataforma, acrescentou, é contra ser qualificada como de "esquerda ou direita", algo que, disse, é "uma coisa do século passado", e ressaltou que o objetivo é que as pessoas se interessem mais pela política num momento de expansão dos populismos e partidos extremistas.

"Os extremos têm respostas simples para as pessoas. As pessoas estão assustadas com o caminho da Europa, com a globalização, com o protecionismo, e esse medo encontra uma resposta muito fácil nesses movimentos populistas", concluiu Carmona.

A jornada inaugural esteve marcada pelo debate "O sistema político e os portugueses", introduzido pelo ex-ministro conservador Luís Marques Mendes, que chamou à atenção para a atual "degradação da qualidade política, parlamentar e ética".

Marques Mendes criticou especialmente a "falta de ética" que diz observar no Parlamento português, o que alimenta o risco, advertiu, do crescimento do populismo.