EFELisboa

O Governo socialista de Portugal, liderado por António Costa, que tem maioria absoluta no Parlamento, superou esta quarta-feira uma moção de censura apresentada pelo partido de extrema-direita Chega, o único que apoiou a iniciativa.

Os restantes partidos de direita (PSD e Iniciativa Liberal) abstiveram-se na votação da moção apresentada pelo Chega, a terceira maior força no Parlamento, enquanto os socialistas e os partidos de esquerda votaram contra.

A iniciativa, que estava condenada ao fracasso desde que foi apresentada, uma vez que os socialistas têm maioria absoluta, alegava que o Executivo não estava em condições de governar, principalmente devido ao "caos na saúde", à "crise dos combustíveis" e à "completa falta de articulação" no gabinete.

A moção foi apresentada na semana passada, após a crise aberta no Governo quando o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, aprovou unilateralmente um despacho para avançar com a ampliação do aeroporto de Lisboa sem informar Costa.

O primeiro-ministro revogou a ordem ministerial e, após uma reunião entre os dois, Santos assumiu a culpa pelo ocorrido e ambos consideraram a crise encerrada.

"Não é a guerra, nem a covid, nem a troika, é o primeiro-ministro que tem a culpa", acusou o líder do Chega, André Ventura, durante o debate no Parlamento, onde defendeu que os socialistas "não souberam dar uma resposta digna num momento de crise caótica".

Em resposta, o primeiro-ministro acusou Ventura de ser "oportunista" ao apresentar a moção: "O Chega está na política para fazer barulho, ter palco e espaço mediático, mas não para resolver os problemas do povo e do país", comentou.

Esta foi a primeira moção de censura que o Executivo de Costa enfrenta na atual legislatura, embora o Chega já tenha apresentado em abril uma moção rejeitando o seu programa de Governo, que também não prosperou.

Costa lidera o governo socialista de Portugal desde 2015 e está agora na sua terceira legislatura, a primeira com maioria absoluta, conquistada nas eleições do último mês de janeiro.

Os socialistas têm 120 dos 230 deputados na Assembleia da República.